27/01/2026
Carboidrato e performance: estamos mudando o que já sabíamos?
Um estudo recente levantou a hipótese de que o consumo de carboidrato pode não ser tão determinante para a performance em alguns contextos específicos. E sim, isso merece ser discutido — com calma e com ciência.
📚 O que já está bem estabelecido:
Décadas de estudos robustos mostram que o carboidrato melhora a performance, especialmente em exercícios de alta intensidade, longa duração e esforços intermitentes, ao preservar o glicogênio muscular e retardar a fadiga. Diretrizes de instituições como ACSM, IOC e ISSN continuam sustentando esse papel.
🔬 O que esse novo artigo propõe:
O estudo traz um recorte específico de população, protocolo e contexto metabólico. Ele não invalida o corpo de evidências já existente, mas levanta uma hipótese que ainda precisa ser reproduzida, ampliada e testada em diferentes cenários.
🥑 O ponto importante que precisa ser contextualizado:
Indivíduos ceto-adaptados, ou seja, metabolicamente adaptados a uma dieta rica em gordura e com baixo teor de carboidrato, podem sim apresentar boa performance mesmo com ingestão mínima ou ausente de carboidrato, especialmente em exercícios aeróbios e de intensidade moderada.
Isso ocorre por maior eficiência na oxidação de ácidos graxos e corpos cetônicos — um cenário metabólico específico, que não pode ser automaticamente extrapolado para toda a população.
⚠️ Ciência não muda com um único artigo.
Mudanças de conduta acontecem quando há consistência, reprodutibilidade e convergência de dados, e não com resultados isolados.
🎯 Na prática clínica e esportiva:
Carboidrato não é vilão nem obrigatório universal. Ele é estratégia — e deve ser individualizado conforme objetivo, modalidade esportiva, intensidade do treino, estado metabólico e nível de adaptação do paciente ou atleta.
Seguimos atentos às novas evidências, sem abandonar o que já é sólido.
Ciência se constrói assim: questionando, testando e confirmando.