01/02/2026
Eu venho deles.
Da minha avó materna, filha de pessoas escravizadas, que carregou no corpo e na vida marcas que nunca couberam em fotografia nenhuma. Meu avô paterno alemão….
Venho dos meus pais, que me ensinaram dignidade, trabalho e amor — cada um trazendo sua própria história, suas origens, suas lutas e seus privilégios.
Quando olho para as imagens deles, não vejo “fenótipo”.
Vejo pertencimento.
Vejo o Brasil real.
Sou resultado de encontros, atravessamentos, afetos e sobrevivências.
Sou miscigenação viva — como milhões de brasileiros que não cabem em duas caixas, nem em leituras rasas, nem em julgamentos apressados.
Sempre me declarei parda porque essa palavra sempre fez sentido para mim.
Ela nomeia a mistura, a travessia, o meio do caminho.
Ela reconhece que a história não começa em mim — começa antes, neles.
E é importante dizer: isso não é sobre ser de esquerda ou de direita.
Isso é sobre cultura, história e identidade.
O Brasil é miscigenado. Sempre foi.
Defendo a causa da Beatriz Bueno porque não é sobre uma pessoa.
É sobre o risco de apagarmos histórias inteiras em nome de critérios frios.
É sobre não transformar identidade em espetáculo, nem pertencimento em suspeita.
Não é possível combater injustiça criando outras.
Não é possível falar de reparação apagando trajetórias.
Eu honro quem veio antes de mim.
E sigo dizendo:
o Brasil não é binário.
Minha história não é negociável.
E meu pertencimento não cabe em banca nenhuma.
(Até porque conheço essa universidade bem e concordo que não é rica em saúde mental rs)