28/11/2025
Nem sempre o acolhimento vem das palavras. Às vezes, o maior gesto de empatia é simplesmente ouvir — e permanecer presente. Para muitas crianças neurodivergentes, o silêncio do adulto é o espaço onde elas finalmente se sentem seguras para existir sem precisar se explicar.
A escuta verdadeira não é sobre dar respostas rápidas, mas sobre sustentar o momento com paciência.
Quando o adulto observa, espera e transmite calma, o sistema nervoso da criança percebe que não há ameaça — e isso por si só já é regulador. O cérebro interpreta o silêncio acolhedor como segurança, e a partir daí, a comunicação flui.
Na neuropediatria e nas práticas de co-regulação, a escuta é uma ferramenta terapêutica poderosa. Ela permite identificar o que está por trás do comportamento — medo, cansaço, frustração ou sobrecarga sensorial. Em vez de tentar corrigir imediatamente, o adulto oferece presença. E, aos poucos, a criança entende que pode confiar e expressar suas emoções de forma mais organizada.
Ouvir sem interromper, sem julgamento e sem pressa é um dos maiores atos de respeito que podemos oferecer a uma mente em desenvolvimento. É assim que se constrói vínculo, autoestima e segurança emocional.
📚 Fonte: APM Issue 180 | American Academy of Pediatrics | CDC – Learn the Signs, Act Early
👩🏻⚕️ Dra. Natasha Mata | Neuropediatra
CRM RS 40504 | RQE 30903