Lotus centro de reabilitação

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14/05/2020

O significado da Flor de Lótus

No simbolismo budista, o significado mais importante da flor de lótus é pureza do corpo e da mente. A água lodosa que acolhe a planta é associada ao apego e aos desejos carnais, e a flor imaculada que desabrocha sobre a água em busca de luz é a promessa de pureza e elevação espiritual.
É simbolicamente associada à figura de Buda e aos seus ensinamentos e, por isso, são flores sagradas para os povos do oriente. Diz a lenda que quando o menino Buda deu os primeiros passos, em todos os lugares que pisou, flores de lótus desabrocharam.
Nas religiões asiáticas, a maior parte das divindades costumam surgir sentadas sobre uma flor de lótus durante o ato de meditação.
Na literatura clássica de muitas culturas asiáticas, a flor de lótus simboliza elegância, beleza, perfeição, pureza e graça, sendo frequentemente associada aos atributos femininos ideais.
A flor de lótus representa um mistério para a ciência, que não consegue explicar a característica própria que possui de repelir micro-organismos e partículas de pó.
É uma flor muito usada em tatuagens com diferentes significados associados a cada cor da flor. No Japão esta flor é muitas vezes tatuada em conjunto com o peixe koi, significando individualidade e força.

29/04/2020

RESUMO - O uso de dr**as atualmente é considerado um grave e complexo problema de saúde pública. Falar sobre drogadição é discutir o processo saúde/doença, considerando-se os modelos que contribuem para a compreensão do fenômeno no momento atual e das estratégias de intervenção estabelecidas. Discutir a dependência química hoje exige uma reflexão sobre como a droga foi encarada ao longo da história, tendo em vista as questões de saúde/doença e os paradigmas hegemônicos em cada momento. Este estudo visa: a) mostrar as bases teórico-conceituais de três eixos (saúde, doença e dependência química) e suas interseções; b) propiciar uma reflexão crítica sobre a questão da promoção da saúde frente à dependência de dr**as, de acordo com o modelo biopsicossocial presente na atualidade. Esse modelo considera o ser humano integral, dotado de subjetividade, de saberes e fazeres próprios, ativo no processo saúde/doença, ressaltando a necessidade de rompimento com o modelo cartesiano ainda predominante na saúde.

A dependência química na atualidade corresponde a um fenômeno amplamente divulgado e discutido, uma vez que o uso abusivo de substâncias psicoativas tornou-se um grave problema social e de saúde pública em nossa realidade. Entretanto, falar sobre o uso de dr**as, particularmente sobre a dependência química, traz à tona questões relacionadas diretamente ao campo da saúde, o que implica na necessidade de realizar uma reflexão sobre esse fenômeno no âmbito das concepções sobre saúde e doença, vigentes ao longo da história do homem, bem como no momento atual. Isso porque temas como saúde, doença e dr**as sempre estiveram presentes ao longo da história da humanidade, embora cada período apresente uma maneira particular de encarar e lidar com esses fenômenos, de acordo com os conhecimentos e interesses de cada época. No que diz respeito ao uso de substâncias psicoativas, ao contrário do que se pensa, esse não é um evento novo no repertório humano (Toscano Jr., 2001), e sim uma prática milenar e universal, não sendo, portanto, um fenômeno exclusivo da época em que vivemos. Pode-se dizer, então, que a história da dependência de dr**as se confunde com a própria história da humanidade (Carranza & Pedrão, 2005), ou seja, o consumo de dr**as sempre existiu ao longo dos tempos, desde as épocas mais antigas e em todas as culturas e religiões, com finalidades específicas. Isso porque, o homem sempre buscou, através dos tempos, maneiras de aumentar o seu prazer e diminuir o seu sofrimento (Martins & Corrêa, 2004). Entretanto, é importante pontuar que os hábitos e costumes de cada sociedade é que direcionavam o uso de dr**as em cerimônias coletivas, rituais e festas, sendo que, geralmente, esse consumo estava restrito a pequenos grupos, fato esse que apresentou grande alteração no momento atual, pois hoje se verifica o uso dessas substâncias em qualquer circunstância e por pessoas de diferentes grupos e realidades. Por outro lado, em relação à saúde e à doença, estas também despertaram a atenção do homem desde a Antiguidade, uma vez que estão diretamente relacionadas a questões que fazem parte da condição humana, como é o caso da reflexão 204 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, Abr-Jun 2009, Vol. 25 n. 2, pp. 203-211 E. M. M. Pratta & M. A. Santos sobre a vida e a morte, o prazer e a dor, sofrimento e o alívio, trazendo à tona, a inerente fragilidade do homem. Analisando a evolução histórica do ser humano é possível verificar que cada época apresenta uma maneira particular de lidar com esses elementos, ou seja, com a saúde e a doença. No caso das doenças, é possível notar que as concepções que se apresentaram ao longo da história caminharam do sobrenatural para o natural e, consequentemente, para o social (Ornellas, 1999). Ao longo dos tempos nota-se uma mudança de foco no que se refere à compreensão e valorização destes eixos (saúde - doença), partindo de um paradigma que tem por finalidade a manutenção da saúde até chegar a um novo paradigma que apresenta como centro a questão da doença. Esse último permaneceu durante muito tempo como modelo adequado para compreender questões referentes à saúde e à doença, e hoje passa por um período de crise. Assim, tomando-se por base o referencial acima mencionado, o presente estudo visa mostrar os alicerces teóricosconceituais de três eixos — saúde, doença e uso de substâncias psicoativas — e suas interseções, de forma a ativar e manter uma reflexão crítica das ideias e valores relacionados aos mesmos. Para tanto, três objetivos específicos permeiam esta reflexão. São eles: (a) discutir as mudanças nas concepções sobre saúde e doença e suas implicações no que se refere ao uso de substâncias psicoativas, considerando-se os principais momentos históricos; (b) refletir sobre as influências do modelo biomédico, hegemônico na área da saúde, na discussão e no atendimento dispensado ao usuário de dr**as a partir do século XX; (c) abordar a questão da dependência química e do tratamento da mesma, tendo por base o modelo de produção social da saúde, enfatizando a importância da promoção e da prevenção nesse contexto. O Processo Saúde-Doença e o Uso de Dr**as: Uma Visão Histórica Discutir questões ligadas aos conceitos, à compreensão e à elaboração de modos de encarar a saúde, a doença e os cuidados, ao longo do contexto histórico, coloca em evidência “a questão da evolução histórica da [própria] prática médica como instituição que detém a legitimidade hegemônica do domínio desse cuidado e dos saberes relativos à doença e à saúde” (Ornellas, 1999, p. 20). Assim, seguindo os trâmites da história em seus principais momentos, é necessário começar a falar sobre saúde e doença retomando reflexões e conhecimentos que foram produzidos na Antiguidade. Segundo Sevalho (1993), as primeiras representações de saúde e doença estavam ligadas a uma questão mágica, como no caso das concepções dos antigos povos da Mesopotâmia, uma vez que para eles as doenças eram provocadas por influências de entidades sobrenaturais, com as quais o ser humano não podia competir. Posteriormente, a doença passou a ser explicada no âmbito das crenças religiosas, sendo, portanto, determinação dos deuses. Essa visão começou a mudar a partir dos conhecimentos desenvolvidos pelos egípcios, os quais evidenciaram uma naturalização das doenças, aliada às crenças sobrenaturais, religiosas e mágicas que os mesmos possuíam. Os gregos, um povo considerado avançado para seu momento histórico e que apresentava uma característica particular, a preocupação em compreender a natureza do homem, produziram um rico conhecimento mitológico e filosófico, os quais embasaram as explicações sobre saúde e doença nessa época. Assim, em um primeiro momento, as explicações para as doenças entre os gregos tinham uma fundamentação religiosa. Nesse período, existia no ideário popular a concepção de que o sobrenatural (no caso, os deuses) era responsável pela manifestação das doenças, ou seja, existia a ideia de sacralização das doenças, uma vez que o homem tinha por costume curvar-se às divindades e se submeter aos mais diversos tipos de sacrifícios com a finalidade de livrar-se de alguma enfermidade, do castigo e das impurezas (Toscano Jr., 2001). Essa visão sofreu mudanças a partir das ideias de Hipócrates, o qual foi o primeiro a formular um conceito de causas naturais para os eventos presentes em nosso mundo (Sevalho, 1993). Segundo sua concepção, o homem era constituído de quatro humores corporais sendo estes o sangue, a bílis amarela, a bílis negra e a fleuma, os quais eram oriundos de quatro qualidades específicas da natureza: calor, frio, umidade e aridez. Dentro dessa visão, a saúde resultaria da harmonia, do equilíbrio entre esses quatro humores e, por outro lado, a doença teria origem no excesso ou na escassez de um deles ou na falta de mistura dos mesmos no organismo, sendo a cura ligada à busca do equilíbrio (Cairus & Ribeiro, 2005). Assim, a medicina de Hipócrates apresentava uma preocupação clara com a doença individual e com a forma de curá-la, bem como com a manutenção da saúde. Além disso, a emergência da escola hipocrática, considerando a doença e a cura como resultados de processos naturais (MacRae, 2001; Toscano Jr., 2001), levou a nova medicina a receitar o pharmakón (palavra que significa remédio ou veneno) para o tratamento das enfermidades em busca da cura (Toscano Jr., 2001). Assim, para os gregos, que empregavam vários tipos de dr**as, a ação dessas era vista de maneira relativa, pois uma determinada substância poderia ser utilizada, simultaneamente, como remédio ou veneno, dependendo de sua dosagem. Isso porque era essa dosagem que determinava o efeito curativo de uma determinada substância utilizada e o envenenamento provocado pela mesma (MacRae, 2001; Toscano Jr., 2001). Os romanos, que sofreram grandes influências dos gregos, também compartilhavam dessa posição, encarando as dr**as como basicamente neutras, isto é, seus efeitos, sejam estes positivos ou negativos, dependiam da dosagem e da maneira de uso das mesmas (MacRae, 2001; Toscano Jr., 2001). No final da Antiguidade e durante toda a Idade Média (século V ao XV) retoma-se a concepção de doença como algo sagrado, provocado pelo sobrenatural, embora a mesma também continuasse sendo encarada como a manifestação de alterações globais do organismo na sua relação com o meio físico e social (Queiroz, 1986). Pode-se dizer, assim, que até esse momento, de uma forma ou de outra, a maioria dos terapeutas levava em consideração a interação corpo e alma, buscando tratar seus pacientes a partir do meio social e espiritual no qual os mesmos se encontravam (Capra, 1982)

27/04/2020

Variáveis ambientais, biológicas, psicológicas e sociais atuam simultaneamente influenciando a tendência ao consumo de dr**as, levando à interação entre o agente droga, o sujeito indivíduo e a sociedade e o meio, contextos socioeconômico e cultural1.
O desenvolvimento da dependência pode ser considerado parte de um processo de aprendizagem. A dependência é o resultado de uma interação complexa entre os efeitos fisiológicos das substâncias psicotrópicas no cérebro e o que o usuário interpreta daquela situação, relacionando-a ao ambiente e consolidando como aprendizado2. Se uma pessoa consome uma substância e sente um efeito psicoativo altamente satisfatório ou reforçador, mais provavelmente tal comportamento se repetirá3. As consequências causadas pelo uso dessas substâncias químicas atingem tanto a qualidade de vida quanto a saúde individual e coletiva. Causam alterações nos sistemas neurotransmissores e déficits cerebrais incluindo aprendizado verbal, memória de curto prazo, atenção, funções executivas, controle e seleção de resposta, resolução de problemas e tomada de decisões4. Geram disfunções nos sistemas cardíaco e respiratório; problemas renais; ansiedade; depressão; problemas de sono; dificuldades financeiras e de relacionamento5; podendo originar violência6.
De acordo com o segundo levantamento domiciliar de dr**as psicotrópicas realizado no Brasil, em 2005, observa-se uma quantidade (muito) grande de dependentes7.
A dependência química pode levar a baixa qualidade de vida, pois está diretamente ligada ao desequilíbrio entre a combinação do bem-estar psicológico e a saúde física8.
A qualidade de vida é a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações9. Existem diversas pesquisas sobre sua importância no processo de tratamento, pois certas atividades e avaliações promovem nos dependentes maior controle da ansiedade, autoestima e autoimagem positivas e responsabilidade social, levando à melhor qualidade de vida10.
Diariamente centenas de indivíduos são encaminhados para clínicas especializadas em desintoxicação de dr**as. Contudo, sabe-se da efetividade das intervenções para a manutenção da abstinência e recuperação de adolescentes11.
Para a reconquista da qualidade de vida positiva, os dependentes devem buscar a prevenção e o tratamento dos transtornos relacionados ao uso de substâncias psicotrópicas. Estas ações proporcionam ao indivíduo a criação do hábito de observar seu comportamento, identificando situações de risco, fazendo-o buscar novas estratégias, e facilitando o desenvolvimento da autoestima, da autoconfiança e da autoajuda. Criam espaço para que o paciente busque sentido em suas próprias vivências, na tentativa de encontrar uma resposta diferente, que não a droga12. Entretanto, são escassas as pesquisas que relacionam a dependência química com a autoestima, a autoimagem e a qualidade de vida, sendo o objetivo deste estudo analisar e comparar essas questões em dependentes químicos do Instituto São José em Santa Catarina (SC).

Métodos
Este estudo de corte transversal realizado no município de São José, em Santa Catarina, em 2009, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado de Santa Catarina. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
A amostra por acessibilidade foi composta de 100 pacientes do s**o masculino com média de idade de 43,0 ± 10,7, 8,4 ± 3,7 anos de estudos, variando de analfabetos ao ensino superior completo em tratamento na unidade Jelinek do Serviço de dependência química do Instituto São José. A idade média do primeiro uso de dr**as foi de 16,3 ± 5,2 anos (6 � 45 anos) e idade do primeiro diagnóstico clínico de 34,2 ± 11,5 anos (14 � 69 anos). Estes pacientes já foram internados numa média de 4,6 ± 5,3 vezes e por uma média de 16,7 ± 10,6 dias.
O Instituto São José foi escolhido para amostra por ser referência no tratamento de dependência química em Santa Catarina. A amostra foi composta apenas por homens, pois a clínica não interna mulheres pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e no privado era disponibilizado apenas seis leitos. Entretanto, em todas as visitas as mulheres estavam impossibilitadas de participar do estudo.
Adotou-se como critérios de inclusão ser dependente químico internado, por período mínimo de sete dias, no Instituto São José com idade acima de 18 anos, ter interesse em participar do estudo e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido.
Os instrumentos utilizados foram: anamnese contendo informações pessoais e características clínicas; questionário sobre a situação socioeconômica da Associação Nacional de Empresa de Pesquisa13; Teste para Triagem do Envolvimento com Dr**as3; questionário sobre Percepção de Saúde � Behavioral Risk Factors Surveillance System Questionair (BRFSS)14; e de Qualidade de Vida � WHOQOL9. Todos foram aplicados em forma de entrevista.
A anamnese (identificação pessoal) foi composta de (seis) perguntas para identificação pessoal: s**o, idade, escolaridade, estado civil, moradia e trabalho; e sobre características clínicas relacionadas ao início, frequência e tempo do uso de dr**as, internação e atitude de arrependimento.
O instrumento para estratificar a Situação socioeconômica segundo seu poder de compra, o qual classifica a população em classes econômicas A, B, C, D e E, através da pontuação obtida e renda mensal, considerado o principal instrumento de segmentação da população no Brasil.
O teste para triagem do envolvimento com dr**as ASSIST 2.0 contém oito questões sobre o uso de nove classes de substâncias psicoativas (tabaco, álcool, maconha, co***na, estimulantes, sedativos, inalantes, alucinógenos e opiáceos).
A Qualidade de Vida foi mensurada por meio do WHOQOL (World Health Organization Quality of Life) abreviado, que compõe os domínios físico, psicológico, social e ambiental. Sua versão em português foi desenvolvida no Centro WHOQOL para o Brasil, no Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, sob a coordenação geral do Dr. Marcelo Pio de Almeida Fleck9.
O questionário desenvolvido por Steglich15 classifica a Autoestima e a Autoimagem. É dividido em quatro categorias. A Orgânica envolve as dimensões genéticas, morfológicas e fisiológicas; a Social abrange o status socioeconômico, as condições de família e as realizações profissionais; a Intelectual engloba escolaridade, educação e sucesso profissional; e a Emocional envolve a felicidade pessoal, o bem-estar social e a integridade moral. O ponto de corte foi estabelecido a partir da multiplicação do total de questões da autoestima (41) e autoimagem (37) pelos maiores escores do questionário (4 e 5). Assim, o intervalo de máximos e mínimos representa Alta autoestima e autoimagem, enquanto valores abaixo deste intervalo foram considerados como Baixa autoestima e autoimagem. Para a classificação das categorias orgânica, social, intelectual e emocional adotou-se os pontos de corte: Orgânica - Baixa = 13 a 51 pontos, Alta = 52 a 65 pontos; Social - Baixa = 13 a 51 pontos, Alta = 52 a 65 pontos; Intelectual - Baixa = 14 a 55 pontos, Alta = 56 a 70 pontos; Emocional - Baixa = 42 a 167 pontos, Alta = 168 a 210 pontos.
A análise dos dados foi realizada no programa estatístico SPSS � versão 16.0. Utilizou-se estatística descritiva, Teste de normalidade Kolmogorov Smirnov e Regressão Logística método Enter, com nível de confiança de 95%.

Resultados
De acordo com a entrevista, 56% dos dependentes possui ensino fundamental, 29% ensino médio e 12% ensino superior.
Observa-se na Tabela 1 que as escolhas a respeito do estado civil sugerem uma vida solitária para os dependentes (52%), entretanto, levando em consideração o item moradia, entende-se que a maioria vive com familiares (82%) e que possui emprego (72%), o que favorece a inserção social. Em relação aos fatores econômicos, a maioria está entre a classe média e alta, representadas pelos estratos A, B e C.
Constatou-se, através das questões respondidas pelos dependentes químicos, que a maioria (57%) já fez algo de que se arrependem, destes, 17% por terem cometido ameaças ou agressões para consumirem dr**as, e apenas 3% admitiram que já cometeram algum crime violento.
A Tabela 2 reflete o julgamento dos dependentes em relação à sua saúde, sendo este positivo em todos os itens questionados. A percepção de saúde parece ser independente da ingestão de medicamentos, pois 100% dos dependentes fazem uso, sendo o complexo vitamínico o mais comum (77%).



Segundo a Tabela 3, os resultados relacionados à média dos escores da qualidade de vida indicam que esta, de uma forma geral, pode ser considerada como boa. Entretanto, a média dos escores não ultrapassou 65%, no quais o domínio ambiental foi o que obteve o maior (65,5 ± 12,2), enquanto o menor foi encontrado no domínio psicológico (58,9 ± 11,5).


Na Tabela 4 é apresentado o resultado da autoestima e da autoimagem mostrando que praticamente todos os pacientes possuem autoestima baixa (96%). Na autoimagem não foi muito diferente, o percentual de autoimagem baixa foi maior (77,0%) do que a autoimagem alta. Nas categorias orgânicas e sociais, a porcentagem foi parecida no que diz respeito à inferioridade mostrando que (88,0% e 83,0%) têm categoria orgânica e social baixa, respectivamente.



Ao fazer-se uso da Regressão Logística método Enter apresentada na Tabela 5, observou-se que os coeficientes das variáveis dos domínios físico, social, psicológico e ambiental são nulos, demonstrando pouca eficácia para o modelo com relação à autoimagem. A única variável, entretanto, que apresentou contribuição no modelo foi o domínio psicológico (p = 0,009). Ao se aplicar o mesmo método para a variável autoestima, constatou-se que os coeficientes das variáveis dos domínios físico, social, psicológico e ambiental também são nulos, com p = 0,496; 0,119; 0,219; 0,684 respectivamente, demonstrando a pouca eficácia do modelo. O que podemos verificar é que os domínios da qualidade de vida de acordo com o modelo não interferem na autoestima e na autoimagem dos dependentes químicos.



Discussão
O principal objetivo deste estudo foi analisar a qualidade de vida, a autoestima e a autoimagem dos dependentes químicos do Instituto São José em Santa Catarina (SC).
A respeito das características socioeconômicas, encontraram-se dois artigos realizados com dependentes químicos que corroboram com este estudo, os quais apresentaram percentuais parecidos a respeito do estado civil: 38% divorciados; 2% viúvos, 44% casados, 33% separados e 21% solteiros16,17.
Diferentes foram os dados relativos ao emprego e nível de escolaridade. Nesta amostra, 72% dos dependentes químicos estavam empregados, porém no estudo de Figlie et al.16 encontraram-se valores menores 49%, diferenciando-se do presente estudo. Sobre a escolaridade não se tem homogeneidade na literatura. No estudo de Oliveira et al.17 57% dos pacientes tinham ensino fundamental, 29% ensino médio e 13% ensino superior, igualmente ao nosso estudo. Na pesquisa de Figlie et al.16 63% dos dependentes químicos possuíam ensino fundamental incompleto e 2% ensino superior completo. Novamente, valores menores aos encontrados no presente estudo, mostrando que os nossos participantes possuíam maior escolaridade e estavam empregados.
A percepção de saúde foi considerada boa por 57% dos dependentes químicos, com 39% julgando-a semelhante a de outras pessoas. Determinantes gerais sobre condições de vida e saúde estão diretamente ligados com a qualidade de vida individual e coletiva18. A autoestima e a autoimagem dos nossos participantes apresentaram-se com escores baixos em ambas as variáveis. As mesmas tiveram escores baixos representando 96 e 77% da amostra, parecendo não influenciar na percepção de saúde do nosso estudo, diferentemente do estudo de Maldonado et al.19.
Neste estudo os dependentes químicos apresentaram um bom nível de qualidade de vida. Pouco se tem investigado sobre a mesma nesta população, o que evidencia a importância do presente estudo. Estudos demonstraram que dependentes de tabaco tiveram escores que variaram de 59,2 a 72,1%1,20 . Assim como no trabalho de Aragão et al.1, os nossos resultados demonstram que os dependentes químicos apresentaram um bom nível de qualidade de vida. Este foi observado em todos os domínios questionados, o que mostra-se importante. O equilíbrio entre os quatro domínios da qualidade de vida é desejável, pois alterações em um ou mais pode gerar mudanças na qualidade de vida21.
Observou-se também que a qualidade de vida não interferiu na autoestima e autoimagem dos dependentes químicos. Este fato pode ter ocorrido pelas características socioeconômicas e de saúde dos dependentes: boa condição de vida, assistência familiar, emprego e boa percepção da saúde.
A principal limitação ocorreu na escolha dos instrumentos por serem questionários autoaplicáveis. Sabe-se que por vezes pode ocorrer um viés de memória nos os dependentes químicos e que no momento em que foram entrevistados estavam em condições de internação, a qual possui peculiaridades. Para minimizar estes problemas, aplicaram-se os mesmos em forma de entrevista.

Considerações finais
Os aspectos interessantes deste estudo estão voltados à ausência de correlação entre as variáveis.
Dependentes químicos internados podem ter um bom nível de qualidade de vida e uma percepção de saúde positiva, o que é surpreendente devido às condições implícitas ao consumo de dr**as. Também podem ter baixa autoestima e autoimagem, situações psíquicas que não interferiram na percepção deles de boa qualidade de vida.
Assim, observou-se que nem sempre existe uma ligação direta, contrária e linear entre essas valências nesta população. Condições socioeconômicas influenciaram decididamente nesta lógica como a assistência da família; a capacidade de ter um emprego e os cuidados com a saúde recebidos na clínica especializada.
Parece que a maior dificuldade para os dependentes é a aceitação de si mesmo, representado pelo caráter psíquico: autoestima e autoimagem.
Frente ao exposto, há a necessidade de mais pesquisas que possam auxiliar o entendimento dos fatores que interferem na dinâmica das variáveis aqui estudadas, permitindo, assim, uma atuação profissional que possa melhorar a autoestima e autoimagem dos dependentes químicos. O exercício físico promove mudanças positivas nestes aspectos, porém deve ser estudado e prescrito especificamente para esta população.

24/04/2020

Evolução do Conceito DQ

Uma relação de dependência se estabelece quando há um investimento desproporcional do sujeito sobre um objeto específico, de tal forma que, esse envolvimento prejudique a participação em outras esferas da vida do sujeito (laboral, afetiva, social) (MORGADO, 1985). Ao se tornar o órgão responsável pelos assuntos relacionados às substâncias psicoativas, a Organização Mundial de Saúde (OMS), antes de buscar medidas para lidar com o problema da dependência, deu início a produção de definições que objetivavam designar o consumo compulsivo de uma determinada substância e suas características. A partir dessas definições, surgiam também, formas diferentes de abordar o fenômeno (BERRIDGE, 1994). Inicialmente, houve uma separação dos conceitos de hábito e vício, e posteriormente sua substituição pelo conceito de dependência, devido à conotação moral imbuída no termo vício. Surge então, a proposta de diferenciar as dr**as que produziam apenas dependência física, das que produziam apenas dependência psicológica. Por observar o consumo compulsivo de substâncias que aparentemente não produziam dependência, bem como, casos em que ocorriam a interrupção do uso, sem grandes dificuldades, de substâncias como a morfina, que se associavam a grave dependência física (CRUZ, 2002). Duas situações específicas nos servem para ilustrar a diferenciação feita sobre as dependências físicas e psicológicas. Durante a Guerra de Trincheira, o tratamento das neuroses de guerra motivou pesquisas que levaram ao reconhecimento dos fatores psicológicos envolvidos na dependência. Refutando o argumento sustentado pelas teorias da degeneração hereditária, que defendiam a existência de uma causa orgânica, transmitida hereditariamente. Influência que se manteve presente durante várias décadas no pensamento psiquiátrico (DRUMONND, 1992; STONE, 1985 apud BERRIDGE, 1994). Da mesma maneira, um estudo emblemático realizado com soldados enviados à Guerra do Vietnã, constatou que durante o período da guerra, 43% da amostra (13.760 soldados) consumia alguma substância psicoativa, e dentro desse percentual, 20% tornou-se dependente de he***na, reconhecida pela alta capacidade de causar dependência. No entanto, ao contrário do esperado, ou seja, a permanência dessas taxas após o regresso da tropa, o que ocorreu foi que dos 20% de soldados que haviam se tornado dependentes, apenas 1% manteve-se nessa condição. Esses resultados apontaram para a evidente importância do contexto sociocultural, no estabelecimento de relações de dependência com determinada substância psicoativa (ROBIN e col. 1974 apud MORGADO, 1985). Ainda assim, mesmo com as descobertas envolvendo a dependência, as mudanças das definições oficiais adotadas não representavam as evoluções obtidas no entendimento do fenômeno, já que mantiveram o postulado de que eram as propriedades farmacológicas que engendravam a dependência (MORGADO, 1985). Na década de 50, a influência das tendências científicas enfatizava o nível bioquímico da dependência, acarretando num postulado que atrelavam, em grande parte, os fenômenos da dependência às propriedades farmacológicas das substâncias psicoativas (BERRIDGE, 1994; MORGADO, 1985). Por sua vez, as críticas embasadas por evidências que invalidavam esse pensamento, impulsionaram a continuidade na formulação de conceitos que visassem abranger todos os fatores (biológicos, psicológicos e sociais) envolvidos no desenvolvimento e estabelecimento do problema (CALANCA, 1991). Frente a essa situação é importante trazermos as tentativas sociológicas de definir a dependência, que nos ajudam a ampliar o entendimento do problema, para além do sujeito em sua dimensão biológica. As perspectivas mediacionais, destacavam as desigualdades das estruturas sociais, que criariam condições para o desenvolvimento e manutenção da dependência. Na perspectiva construcionista, a dependência é entendida como um conceito cultural, que envolve uma variedade de significados e funções, independente das sequelas fisiológicas que muitas definições apresentam (BABOR, 1994). De acordo com essa compreensão, não existiriam droga a priori, pois são a atividade simbólica e o conjunto das motivações do consumidor, que transformariam uma substância psicoativa em droga. Esta perspectiva privilegia a noção do sujeito ativo e não, necessariamente, dotado de uma personalidade patogênica (BUCHER, 1992; MACRAE, 2001). A terceira e última perspectiva chamada é chamada de rotuladora, e se relaciona com a anterior (construcionista), ao apresentar a dependência em termos do que seria o papel do doente, criado pelas expectativas sociais. Essas expectativas interfeririam no comportamento, no padrão de uso e no estabelecimento da dependência, a medida em que o sujeito que faz o uso de alguma substância psicoativa, aceitasse o rótulo que lhe é conferido. (BABOR, 1994). Ao dispor de recursos teóricos imprescindíveis, a abordagem sociocultural contribuiu para uma compreensão interdisciplinar da questão através das análises sociais e históricas, que devem ser estudadas em consonância com as interpretações biológicas e psicológicas, evitando uma abordagem unidimensional (BUCHER, 1992). No conceito de farmacodependência, desenvolvido em 1969, os fatores sociais ainda não são mencionados entre causas: Estado psíquico e algumas vezes físico resultante da interação entre um organismo vivo e uma substância, caracterizado por modificações de comportamento e outras reações, que Psicologia.pt ISSN 1646-6977 Documento publicado em 03.11.2017 Amanda Magalhães Souza 6 facebook.com/psicologia.pt sempre incluem um impulso a utilizar a substância de modo contínuo ou periódico, com a finalidade de experimentar seus efeitos psíquicos e, algumas vezes, de evitar o desconforto da privação. A tolerância pode estar presente ou não (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1969 apud SILVEIRA, 1996). Atualmente, a mudança é percebida nos fatores considerados pela OMS - prejuízos sociais, ocupacionais e psicológicos, além dos fisiológicos – para o estabelecimento do diagnóstico de dependência. Porém, o reconhecimento da complementaridade entre os fatores biopsicossociais, na configuração de um consumo compulsivo de uma ou mais substâncias, não foram suficientes para mudar o pensamento hegemônico, de que cabem as abordagens biológicas (médicas e farmacológicas) o papel de tratar a questão (CRUZ, 2002).

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