22/03/2026
AGRICULTOR DE CARAZINHO COLHE ABÓBORA GIGANTE
Lá pras bandas do interior de Carazinho, onde o canto do quero-quero acorda até quem nem foi dormir direito e o cheiro da terra vermelha molhada sobe no ar depois de cada sereno, vivia o seu Adão Nunes, um colono daqueles bem antigos, da época em que compromisso valia mais que contrato e aperto de mão resolvia mais que papel assinado. O velho já tava com seus 85 anos, mas firme que nem tronco de guajuvira, andando de chinelo havaianas gasto, calça social vermelha que já tinha visto mais lavoura do que muita bota nova, e camisa da mesma cor, porque dizia que “se for pra trabalhar, que seja bem vestido, mesmo que seja só pra enxada”.
O seu Adão era homem de poucas frescura, mas muito capricho. Acordava antes do sol, botava água pra esquentar no fogão a lenha, passava um café forte que até acordava pensamento atrasado e saía pra roça antes mesmo das galinhas se organizarem. E ali ele tinha de tudo um pouco: soja pras contas, milho pras galinhas, feijão pra panela, e umas abóboras espalhadas pelo potreiro, que ele plantava mais por gosto do que por necessidade.
Mas naquele ano, tchê… tinha algo diferente.
Logo no começo da safra, quando as ramas começaram a se espalhar pelo chão, o seu Adão já percebeu que uma delas tava “meio atrevida”. Crescia mais que as outras, ocupava mais espaço, parecia que queria mandar no pedaço. Ele até comentou sozinho, ajeitando o chapéu:
— Essa aqui vai dar história… eu tô sentindo.
E não deu outra.
Passaram-se as semanas, e aquela abóbora começou a engordar de um jeito meio suspeito. No começo era do tamanho de uma bola, depois de um balde, depois de uma caixa de feira… e quando viram, já tava maior que roda de trator.
O primeiro a desconfiar foi o vizinho, seu Ireno Kappes, que encostou na cerca e ficou olhando de longe:
— Ô Adão… tu andou botando fermento nessa terra ou o quê?
E o velho, sem perder a calma:
— Isso aí é manejo… técnica apurada.
Mas a verdade é que nem ele sabia explicar.
Cada dia que passava, a abóbora parecia que crescia um pouco mais, como se tivesse vontade própria. O seu Adão começou até a conversar com ela, coisa de colono antigo:
— Vamo com calma, guria… não precisa exagerar.
Só que a abóbora não escutava conselho.
Quando chegou na metade da safra, já tinha gente vindo de longe só pra ver. Paravam na estrada, encostavam bicicleta, moto, caminhonete, e iam a pé até o potreiro.
E era sempre a mesma reação:
— MAS BAH!
O seu Darci chegou a medir com uma trena e largou:
— Isso aqui já passou de qualquer lógica…
Teve gente dizendo que era milagre, outros que era semente estrangeira, e até um mais desconfiado que falou:
— Isso aí tem coisa… não é normal não.
Mas o seu Adão só ria, com aquele sorriso meio de canto.
A situação começou a complicar quando a abóbora ficou tão grande que começou a achatar o chão em volta. Parecia que tinha peso de boi.
Aí veio o problema sério:
— E agora, como é que tira isso daí?
Chamaram o seu Valmor com o trator. Tentaram puxar. O trator patinou, bufou… e não mexeu a abóbora nem meio palmo.
— Isso aí não é abóbora… isso é um monumento! — gritou alguém.
Foi aí que o seu Adão tomou a decisão:
— Vamos chamar o muck.
Ligaram pro João, lá da cidade, que veio todo faceiro, dizendo que já tinha levantado coisa muito pior.
Mas quando ele viu a abóbora, ficou quieto uns segundos.
— Bah… isso aqui é categoria nova…
Amarraram corrente, ajeitaram tudo com cuidado, e quando o muck começou a erguer… deu um silêncio geral.
A abóbora saiu do chão devagarinho, pesada, imponente, como se fosse uma rainha sendo carregada.
E quando ficou no ar, teve até gente batendo palma.
— Nunca vi coisa igual! — disse o padre, que tinha ido “só dar uma olhada”.
Colocaram ela na carroceria do velho Chevrolet D70 azul do seu Adão, que já tava meio cansado de guerra, mas ainda firme.
O caminhão deu uma baixada boa.
— Aguenta firme, véio… hoje tu vai pra história — falou o seu Adão, batendo na lataria.
A abóbora ficou ali, gigante, ocupando quase tudo, parecendo que o caminhão tava carregando um pedaço de planeta.
Os colonos ficaram em volta, admirando.
Teve aposta de peso, teve gente calculando quantos quilos dava, outros já planejando doce, sopa, chimia…
Um piá perguntou:
— Dá pra entrar dentro disso aí?
— Se abrir, acho que cabe até um churrasco — respondeu o seu Nelci.
O seu Adão ficou meio afastado, só olhando.
Não era só uma abóbora.
Era resultado de uma vida inteira mexendo com a terra.
Era orgulho.
Era história.
Quando o caminhão saiu pela estrada vermelha, levantando poeira, com aquele monstro em cima, parecia desfile de festa.
O povo acenava, tirava foto, comentava.
E o seu Adão, lá na boleia, tranquilo, como se fosse mais um dia normal.
Mas no fundo, ele sabia.
Aquilo não era normal.
Era coisa que acontece uma vez na vida… e olhe lá.
E até hoje, quando alguém fala de Carazinho lá fora, sempre tem um que diz:
— Ah… é lá que teve aquela abóbora gigante, né?
E sempre vem a resposta, cheia de orgulho:
— Foi… e saiu da mão de um colono raiz.
E tu, já viu alguma coisa inacreditável assim na roça? Conta aí que eu quero saber!
Imagem criada com auxílio de IA para fins culturais (ilustrativa)
Esta é uma história fictícia, criada para entretenimento