21/04/2020
✒Adolescência: a FASE!
Primeiro temos que entender que a adolescência é um período da vida muito conturbado, no qual os jovens passam por diversas situações novas, pressões sociais e sofrem com variações de humor e crises emocionais. Para alguns, é um momento extremamente turbulento, com muitos altos e baixos. Além disso, a desregulamentação hormonal nessa fase também pode ser um dos fatores que tornam desafiador lidar com tantas emoções.
A depressão na adolescência é muito comum justamente porque é um momento no qual o jovem sofre tanto com fatores internos de autoestima e autoaceitação, como todos os fatores externos.
O terreno é fértil para a doença aflorar, mas isso não significa que todos os jovens têm depressão. Vale, no entanto, ficar mais atento durante essa fase para que determinadas situações não sejam capazes de desencadear a doença.
🛑Devemos, portanto, entender também sobre a natureza da doença.
Depressão é uma doença crônica, recorrente, muitas vezes com alta concentração de casos na mesma família, que ocorre não só em adultos, mas também em crianças e adolescentes. O que caracteriza os quadros depressivos nessas faixas etárias é o estado de espírito persistentemente irritado, tristonho ou atormentado que compromete as relações familiares, as amizades e a performance escolar.
⚠️De acordo com a “American Psychiatric Association”, um episódio de depressão é indicado pela presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas, quase todos os dias, por um período de pelo menos duas semanas:
1) Estado de espírito depressivo durante a maior parte do dia;
Interesse ou prazer pela maioria das atividades claramente diminuídos;
2) Diminuição do apetite, perda ou ganho significativo de peso na ausência de regime alimentar (geralmente, uma variação de pelo menos 5% do peso corpóreo);
3) Insônia ou hipersônia;
4) Agitação psicomotora ou apatia;
5) Fadiga ou perda de energia;
6) Sentimento exagerado de culpa ou de inutilidade;
7) Diminuição da capacidade de concentração e de pensar com clareza;
8) Pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida ou qualquer tentativa de atentar contra a própria vida.
Na ausência de tratamento, os episódios de depressão duram em média oito meses. Durações mais longas, no entanto, podem ocorrer em casos associados a outras patologias psiquiátricas e em filhos de pais que também sofrem de depressão.
A doença é recorrente: para quem já apresentou um episódio de depressão a probabilidade de ter o segundo em dois anos é de 40%, e de 72% em 5 anos.
Em pelo menos 20% dos pacientes com depressão instalada na infância ou adolescência, existe o risco de surgirem distúrbios bipolares, nos quais fases de depressão se alternam com outras de mania, caracterizadas por euforia, agitação psicomotora, diminuição da necessidade de sono, idéias de grandeza e comportamentos de risco.
Antes da puberdade, o risco de apresentar depressão é o mesmo para meninos ou meninas. Mais tarde, ele se torna duas vezes maior no s**o feminino. A prevalência da enfermidade é alta: depressão está presente em 1% das crianças e em 5% dos adolescentes.
Ter um dos pais com depressão aumenta de 2 a 4 vezes o risco da criança. O quadro é mais comum entre portadores de doenças crônicas como diabetes, epilepsia ou depois de acontecimentos estressantes como a perda de um ente querido. Negligência dos pais e/ou violência sofrida na primeira infância também aumentam o risco.
❓Mas o que eu posso fazer?
Primeiro temos que analisar se você está aqui na condição de pai ou preocupado com alguém, ou se é você que precisa de ajuda. Então vamos lá!?
Como pais, é muito importante não minimizar ou supervalorizar comportamentos. A depressão vai além de uma tristeza passageira. É necessário enfatizar a gravidade da doença, pois na adolescência é comum os parentes consideraram muitos dos sintomas frescura ou “drama de adolescente”. No entanto, alguns adolescentes "usam" alguns comportamentos para sensibilizar e manipular os pais. Estes últimos não estão com depressão e apenas se beneficiam do zelo e cuidado dos pais. Entender o problema é a parte central para agir de forma adequada.
Agora se você entrou aqui procurando saber mais sobre você, vamos lá! Além dos sintomas médicos acima, é importante entender que os "extremos" merecem sempre atenção. Por exemplo, se você come demais ou come de menos. Algumas pessoas quando ficam tristes comem mais para preencher um suposto "vazio" e buscarem uma satisfação momentânea. Outras, por sua vez, não comem nada, sentem falta de apetite. Isso vale para o sono, alguns dormem demais e outros não dormem, alguns se sentem ainda mais sensíveis e outros se sentem irritadiços. NÃO existe uma fórmula pronta, isso posto, sempre é importante estar atento ao que nos incomoda.
❓E se eu tenho dificuldades no diagnóstico, o que fazer?
Procurar um especialista é muito importante. Você pode ir a um especialista em saúde mental. Pode ser um Psicólogo ou um Psiquiatra, até mesmo um Neurologista.
O Tratamento é multi e interdisciplinar. Envolve psicofármacos (medicação) e psicoterapia. Enquanto a Psiquiatria entra com a medicação e outras intervenções médicas, a Psicologia (ciência que se ocupa do Comportamento Humano) lidará com questões relacionadas a complexidade da existência humana e sua personalidade. Exercício físico, esportes, terapia ocupacional e outras atividades ajudam do ponto de vista biológico e até mesmo auxiliam na Resignificação da vida.
❓Na rede de Saúde Pública, o que fazer?
Eu atuo na área social e recebo dezenas de casos no CRAS que trabalho de pessoas que procuram um Psicólogo clínico ou que atue na área da saúde. Preciso encaminhar e me deparo com um sistema de Saúde que não entendeu ainda a séria necessidade de se criar um serviço de Psicologia Clínica que atue não só em situações de saúde mental, mas que também as previnam.
Recebo encaminhamentos de escolas inclusive, me fazendo perceber que até na área da educação existe a escassez de Profissionais de Psicologia.
Pelo SUS há uma demora imensa no atendimento, no entanto, o caminho para o diagnóstico de depressão é o atendimento por um clínico geral, em uma Unidade de Saúde da Família que deverá providenciar um encaminhamento a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPSi) que atenda crianças e adolescentes. Um trajeto difícil e complicado. Cabe mencionar que muitos clínicos gerais chegam a encaminhar erroneamente a um CRAS. Se não bastasse a confusão, os Conselhos Tutelares também o fazem.
Eu sempre atendo todos por uma questão de humanidade e compromisso com as pessoas, mas sei da imensa necessidade de fazer o ente público e seus gestores se conscientizarem da necessidade de se contratar mais Psicólogos. Os CRAS não pode continuar a ser o gargalo para todas as demandas. Isso direciona um tempo que poderia ser gasto na execução de serviços que são inerentes a Unidade.
✒Dito isso, não posso deixar de mencionar que, na dúvida, procure um Posto de Saúde. E não se esqueça, você pode se sentir sozinho nesta jornada, mas sempre poderá contar com profissionais humanos e que assumirão o compromisso com suas respectivas profissões, práticas e mais que isso, com as Pessoas.
⚠️Ainda falaremos sobre o tema. EM BREVE GRAVAREI UM VIDEO falando do assunto. Mande suas dúvidas nesse post ou pelo meu perfil no facebook no privado, caso queira preservar o anonimato, responderei Todas!
Abraços!