25/12/2025
Natal também é atravessamento.
Ao longo deste ano, caminhei ao lado de histórias muito diferentes — e, curiosamente, tão parecidas entre si.
Histórias de quem sente demais, pensa demais, evita, adia, se cobra, se apega, foge… e tenta, todos os dias, dar conta da própria existência.
Vi a impulsividade que vem antes do pensamento,
a ansiedade que não deixa o corpo descansar,
a procrastinação que esconde medo,
o isolamento que protege e machuca ao mesmo tempo,
o apego ao dinheiro como forma de segurança,
as químicas amorosas que confundem vínculo com intensidade,
o TDAH que bagunça o tempo, mas nunca a intenção.
Vi também pessoas se permitindo olhar para si com mais honestidade,
descobrindo valores que antes estavam confusos,
aprendendo a sustentar novos papéis,
percebendo que o controle excessivo muitas vezes esconde medo,
entendendo que fingir força ou raiva nem sempre é maturidade,
e construindo, aos poucos, uma segurança que não depende mais só do outro.
E, sendo muito honesta, também me reconheci em muitos desses lugares.
Porque a terapia não acontece entre quem “sabe” e quem “não sabe”.
Ela acontece entre humanos.
Porque, no fundo, todos nós estamos aprendendo a acolher partes nossas que um dia só souberam sobreviver.
Que este Natal não venha com a obrigação de estar bem, resolvido ou em paz.
Que ele venha com menos cobrança,
mais consciência,
e a permissão de seguir em construção.
Que em 2026 a gente continue escolhendo olhar para si,
mesmo quando dá vontade de fugir