29/11/2025
Caminhar e avançar rumo ao próprio desejo, eis a nossa busca.
Enquanto caminhamos, o movimento da vida acontece. A cada passo, a dialética do encontro. Rumo ao novo, percorremos os caminhos passados.
Às vezes, é preciso parar um pouco, descansar, pensar. Sentamo-nos em nossa praça predileta, respiramos, escutamos o que dizemos, sondando o que sentimos.
Viver é muito perigoso e requer coragem, como bem-disse Riobaldo, personagem preciso de Guimarães Rosa, em seu Grande Sertão. Coragem para escutar, coragem para olhar nos olhos, respeitando as incertezas da vida e enxergando o outro como um mistério a ser desvendado por ele mesmo - ele, o protagonista.
Às vezes, a coragem reside justamente em deixar o outro tornar-se quem é! Em vez do consultório de quatro paredes, nós preferimos subir em árvores, em busca de uma seriguela madura! Resistimos à modernidade das certezas e da busca rápida pela cura parando para fotografar a arte que percebemos com o nosso olhar!
Escutar adolescentes é uma dádiva, pois são eles que nos dizem da atualidade, são eles que nos indicam as contradições do mundo dito “adulto”. Eles nos dizem de nossa humanidade, pois nos conectam com o adolescente que fomos e somos, ainda - em algum lugar, dentro de nós. A adolescência, momento que exige coragem! Sim, um dia fomos corajosos e subversivos – se tudo ocorreu normalmente!
Nosso desafio – em um mundo tão tecnológico e repleto de “substâncias” que fazem a cabeça sair do presente e se projetar num outro tempo – é o desafio de existir, de ser, de tornar-se sujeito de desejo. Para isso, contamos com o nosso corpo, que se coloca no mundo, que vive a cidade, em busca da alegria!
Assim, criamos outras narrativas, feitas de antigas histórias e experimentamos o novo, em posição de abertura, como postulou Heidegger – essa posição só é possível se formos seres “uns com os outros”!
Como bem disse Nise da Silveira, "o que cura é a alegria!"
Karina Correia, psicanalista e psicóloga.