23/12/2025
Tem algo íntimo que quero compartilhar.
Se tem uma palavra que define o meu ano, é impermanência.
Aprendi, no corpo e na alma, que nada permanece como antes.
Foi o ano em que meu pai se tornou a estrelinha mais brilhante no meu céu.
E, com a finitude vivida na pele, senti vontade de contar algo que talvez pouca gente saiba:
eu recomecei algumas vezes na fisioterapia.
No meu primeiro ano de faculdade, morava em Foz para estudar e, nos finais de semana, voltava para Missal, para a casa dos meus pais.
Em um desses retornos, cheguei decidida:
ia desistir da Fisio, voltar para o cursinho pré-vestibular, talvez cursar Direito.
Meu pai me chamou para conversar.
Fez algumas contas, como sempre muito objetivo, e me pediu apenas uma coisa: que eu ficasse mais um pouco. Que concluísse pelo menos o primeiro ano.
Depois disso, eu poderia decidir.
Eu fiquei.
Me formei.
Mas a verdade é que, ao longo da trajetória, eu recomecei outras vezes.
Sempre houve algo que me puxava de volta.
Hoje entendo que não era só a profissão em si.
Em 2025, a impermanência deixou de ser palavra e virou experiência.
A perda do meu pai me atravessou profundamente e me ensinou que cuidar também é aceitar o tempo das coisas.
Hoje, agradeço às mulheres que chegam até mim.
Mulheres que confiam suas histórias, seus corpos, suas dores e travessias.
Sou profundamente grata.
Sou muito feliz em exercer essa profissão, sou fisioterapeuta.