07/04/2026
"O amor e o ódio estão profundamente enraizados nas primeiras relações do indivíduo."
Essa frase da brilhante psicanalista Melanie Klein toca em um dos maiores tabus emocionais que carregamos: a ambivalência afetiva. Quase sempre, sentimos uma culpa esmagadora quando percebemos sentimentos hostis ou raiva em relação às pessoas que mais amamos (nossos pais, parceiros ou até nossos filhos).
Mas Klein nos ensina que essa dualidade nasce no berço.
Nos primeiros meses de vida, o bebê vive em extremos. Quando está alimentado e acolhido, ele experimenta um amor puro pela figura materna. No entanto, ao sentir fome, frio ou a frustração da ausência, ele é tomado por uma fúria instintiva e um ódio profundo contra essa mesma figura. Na mente do bebê, é como se existissem duas pessoas: o cuidador "bom" que gratif**a e o cuidador "mau" que frustra.
O grande passo do nosso amadurecimento psíquico (o que Klein chamou de "posição depressiva") é conseguir unir essas duas pontas.
É o momento doloroso, mas libertador, em que a criança — e mais tarde, o adulto — percebe que a pessoa que nos frustra e nos magoa é exatamente a mesma pessoa que nos ama e nos acolhe. É suportar a realidade de que ninguém é 100% bom ou 100% mau.
Sentir raiva de quem você ama não te faz um "monstro" e não anula o seu amor. Apenas prova que você está se relacionando com um ser humano real, falho e com limites, e não com uma idealização perfeita que só existe na fantasia infantil.
Aprender a suportar a ambivalência é o que sustenta as relações duradouras.
Você tem facilidade de aceitar os defeitos de quem você ama ou tende a idealizar as pessoas? Conta aqui nos comentários. 👇