03/02/2026
A vida começa a ficar mais bonita quando o olhar deixa de ser voltado para fora e retorna para dentro. Quando o sujeito se permite ver a si mesmo sem julgamento, sem a régua da comparação, sem a dureza do “eu deveria ser”.
Na psicanálise, aprender a se olhar é um movimento profundo: é sustentar a própria imagem sem precisar se fragmentar diante do ideal do outro. É reconhecer a própria história, os afetos, as falhas e também as forças que foram construídas apesar das faltas.
Amar-se não é inflar o ego, mas construir um vínculo possível consigo. É oferecer a si aquilo que, muitas vezes, faltou: escuta, paciência, compreensão. Quando esse cuidado interno se instala, a comparação perde força, porque já não é necessário provar valor — ele passa a ser sentido.
Acolher-se é permitir existir como se é, sem precisar se violentar para caber. É trocar a exigência pelo cuidado, a crítica pelo contato, o ataque interno por um gesto de presença. Nesse espaço, o sujeito não se abandona.
E é aí que a vida muda de textura. F**a mais bonita não porque se torna perfeita, mas porque passa a ser habitada com mais verdade, mais gentileza e mais amor por si.