15/01/2026
A ciência dos peptídeos vive um momento de avanço importante, e a retatrutida aparece como uma das moléculas mais comentadas e também mais mal interpretadas. Antes de virar moda nas redes, é preciso deixar claro: trata-se de uma droga experimental, ainda sem aprovação em qualquer país e avaliada apenas em estudos iniciais.
A retatrutida é um agonista triplo de GLP-1, GIP e glucagon. Essa combinação busca atuar em diferentes frentes do metabolismo, como redução do apetite, aumento da saciedade, melhora da sensibilidade à insulina e maior gasto energético. É essa atuação múltipla que explica o interesse gerado pelos primeiros resultados.
Em estudos de fase 2, algumas doses mostraram perda de peso acima de 20%. Em um trabalho mais recente, a farmacêutica responsável relatou reduções de até 28,7% do peso corporal após pouco mais de um ano de uso. Os números impressionam, mas precisam ser interpretados com cautela.
Os estudos ainda envolvem amostras pequenas, tempo limitado de acompanhamento e não oferecem dados consistentes sobre segurança a longo prazo. Isso impede qualquer conclusão definitiva ou aplicação clínica segura neste momento.
Enquanto isso, já existem peptídeos aprovados e amplamente estudados, como semaglutida e tirzepatida. E mesmo nesses casos, o resultado não depende apenas da medicação. Sono ruim, inflamação crônica, intestino desregulado e alimentação baseada em ultraprocessados comprometem qualquer estratégia.
Emagrecimento sustentável não vem de uma molécula isolada. Ele é consequência de um conjunto bem alinhado: nutrição adequada, treino consistente, controle do estresse, equilíbrio hormonal e acompanhamento profissional.