23/05/2019
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Não joguem pedras no mensageiro até ler toda essa mensagem.
Até porque se tem alguém que exalta e defende o aleitamento materno, sou eu.
Só que sempre que escrevo sobre o tema, alguém se incomoda ou relata sofrimento porque deu fórmula para seus filhos.
Uma delas me relatou em mensagem privada que se sentia menos mãe por não amamentar.
Que tudo na blogosfera pediátrica só gira em torno de quem amamenta.
E aí, dia desses, resolvi refletir obre a culpa de não amamentar. Sobre as nossas culpas.
E o quanto podemos contribuir para essa dor ao nos posicionarmos tão antagonicamente às fórmulas.
Antes que venham me acusar de capitular à indústria, já adianto que tenho zero conflito de interesses, e me coloco na posição confortável de mosca na sopa deles.
Mas esse texto é sobre você, que tentou com todas as suas forças amamentar, que sempre ansiou pelo leite materno, mas que tudo conspirou contra e o bebê terminou na fórmula.
Como tantas outras coisas da modernidade, o problema é o mau uso da ferramenta e ao invés de romantizar ou idealizar, o caminho é lidar e enfrentar a realidade para buscar a mudança.
O problema... (que é muito nosso)..é não incentivar o aleitamento materno desde antes da gestação...é achar que porque não deu para amamentar no primeiro, não é possível no segundo...é não ter a conscientização adequada durante o pré natal, para antecipar eventuais problemas...é não ter as mamas examinadas e eventualmente tratadas durante o pré natal...é não colocar o bebê ao seio materno logo após o nascimento e apoiar o aleitamento nos belos, mas difíceis primeiros dias...é propor levar o bebê para o berçário, que nem deveria existir mais, para a mamãe descansar...é prescrever a fórmula na alta da maternidade, rotineiramente...é desistir nos primeiros dias se o peso ou o choro forem aquém ou além do esperado.
Mas se mesmo assim, depois de tudo bem feito, não for possível amamentar, não olhar com desdém para a mãe.
Porque nenhuma mãe é pior por não amamentar, nem melhor por ter amamentado.
A jornada é a mesma.
Por isso, esse texto é para dizer, resumidamente:
Com peito ou sem peito, eu estarei do seu lado.