06/01/2020
Compartilho com vocês essa ótima reflexão da
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Você já se sentiu pressionado a perdoar alguém que tenha lhe feito mal?
Como psicóloga, acho essa situação bastante perturbadora, capaz de gerar consequências muito nocivas. Em função de crenças pessoais, religiosas ou às vezes a vontade de "resolver logo" alguma situação de conflito, tem gente que insiste no imperativo de um perdão - que, no caso, precisa ser praticado por outra pessoa. Acontece muito no contexto familiar, onde é comum a preocupação com a reputação, o receio do julgamento externo, o desejo de harmonia (nem sempre possível com a pressa que se tem).
Se escuta coisas do tipo "pais e filhos/irmãos precisam se dar bem, perdoa o fulano", "isso aconteceu há muito tempo, já passou", "você está exagerando", "é errado não perdoar". É permitido expressar opiniões ou até aconselhar se for do interesse do outro, mas esse tipo de fala oportuniza a sensação de invalidação emocional.
Em tempos de supervalorização de discursos de gratidão e "positividade", é muito fácil fazer a vítima se tornar vilão. Aquele que não perdoa determinada pessoa por um acontecimento no tempo esperado por quem criou a expectativa de perdão de repente se torna assunto, criando um problema a partir da sua atitude "egoísta" e sincera.
O tamanho do problema e da dor depende de quem passa pela experiência. Eu não me posiciono contra o perdão, obviamente, até por testemunhar cotidianamente a beleza da transformação dos pensamentos e sentimentos. Ressignificar a história de vida é um aprendizado libertador. Porém, considero um desrespeito esse tipo de situação. Infelizmente, são muitos os casos de pessoas pressionadas a perdoar seus abusadores (abuso psicológico, físico, sexual, etc.) e, nesses casos, perdoar pode parecer semelhante a consentir com a violência sofrida, justificando o que nem sempre é justificável.
Empatia faz bem. Nem sempre se conhece toda a verdade de alguém ao saber sobre um fato. Cada um pode ser capaz de administrar o que sente e deve saber respeitar seus limites. Ações despertam reações diferentes nas pessoas porque (novidade!) as pessoas são diferentes e essa diversidade é melhor para o mun