26/11/2025
Na visão sistêmica, a compulsão alimentar sussurra verdades antigas.
Nem sempre é sobre a comida… muitas vezes, é sobre a mãe.
É o corpo tentando recordar um colo que faltou,
um silêncio que doeu,
um cuidado que não chegou inteiro.
Cada mordida pode ser uma busca:
por pertencimento,
por calor,
por um afeto que ficou parado no tempo.
Muitas dessas dinâmicas também se revelam nos vínculos amorosos
que, por tantas razões, não puderam seguir de forma funcional.
Histórias interrompidas, relações que não encontraram seu fluxo,
momentos em que mulheres se viram desprotegidas, vulneráveis,
sem chão dentro do próprio peito.
E o corpo tenta compensar…
Tenta preencher ausências que não cabem em palavras,
tenta segurar o que escapou,
tenta se proteger do que um dia feriu profundo.
Às vezes, comer demais é apenas o jeito que a alma encontrou
de pedir para ser vista.
De ser acolhida.
De, enfim, descansar.
E quando olhamos com amor para a mãe — do jeito possível,
e para cada vínculo que marcou a nossa história —
um espaço se abre dentro.
A fome muda de lugar.
E a vida pode, aos poucos, voltar a nutrir onde antes só preenchia.
terapeuta