03/01/2026
Voltar à rotina sem se abandonar não é uma questão de força de vontade ou de organização impecável. É, antes de tudo, uma questão de como tu te relaciona contigo mesma dentro das exigências do dia a dia.
Na clínica, é muito comum ouvir mulheres que aprenderam a funcionar a partir da cobrança constante. Para elas, rotina virou sinônimo de rigidez, produtividade excessiva e silenciamento das próprias necessidades. Quando a rotina retorna, o corpo entra em modo de alerta: o cansaço é ignorado, o descanso gera culpa e qualquer pausa parece um sinal de fracasso.
Isso não acontece por falta de maturidade emocional. Acontece porque, em algum momento da história, dar conta de tudo foi uma forma de se manter segura, aceita ou no controle. O problema é que esse funcionamento, quando se prolonga, cobra um preço alto do corpo e da saúde mental.
Uma rotina emocionalmente saudável não se constrói a partir da punição, mas da autorregulação. Ela considera o momento de vida real, reconhece limites antes do colapso e entende que constância não é o mesmo que rigidez. Pausas deixam de ser um prêmio e passam a ser parte da estrutura que sustenta o funcionamento psíquico.
Voltar à rotina não precisa significar voltar a se abandonar. Pode ser, ao contrário, um movimento de reorganização interna, em que tu faz o que precisa ser feito sem desaparecer de ti mesma no processo.
Quando a rotina te sustenta, em vez de te cobrar, ela deixa de ser um peso e passa a ser cuidado.
Com cuidado, respeito e presença.