Psicóloga Josiane Gonçalves

Psicóloga Josiane Gonçalves Psicóloga Clínica, especialista em Saúde da Família e Transtornos Alimentares. Atendimentos em

Tem momentos em que uma fala simples pesa mais do que tu gostaria, ou um silêncio do outro ganha um signif**ado que se e...
21/03/2026

Tem momentos em que uma fala simples pesa mais do que tu gostaria, ou um silêncio do outro ganha um signif**ado que se espalha por dentro e é difícil de organizar.

Quando tu tenta explicar racionalmente, parece desproporcional, mas a experiência interna conta outra história.

Na Terapia do Esquema, a gente entende que certas situações ativam modos emocionais ligados a necessidades que, em algum momento, não puderam ser atendidas de forma suficiente. Quando isso acontece, o que está sendo vivido deixa de ser apenas a situação atual e passa a ser atravessado por memórias emocionais que ainda seguem vivas.

Por isso, alguns gestos, ausências ou mudanças de tom acessam camadas profundas e reativam sentimentos que já fazem parte da tua história.

Quando existe espaço para compreender esse processo, a relação com o que se sente começa a se transformar, porque surge a possibilidade de reconhecer de onde vem essa intensidade e, aos poucos, construir respostas que não sejam totalmente guiadas por essas marcas antigas.

No consultório, algo tem atravessado mulheres de diferentes idades e contextos sociais: uma exaustão constante.Muitas ch...
12/03/2026

No consultório, algo tem atravessado mulheres de diferentes idades e contextos sociais: uma exaustão constante.

Muitas chegam cansadas de um jeito que não tem relação apenas com descanso ou falta dele. Existe um peso real na vida cotidiana. Dívidas, custo de vida alto, jornadas de trabalho extensas, responsabilidades que não podem simplesmente ser interrompidas.

Mesmo assim, não é raro que elas se sintam culpadas por não conseguirem olhar para a própria vida com leveza ou gratidão o tempo todo. Como se houvesse uma obrigação silenciosa de sustentar uma postura positiva, independentemente das circunstâncias.

Na psicologia, desenvolver recursos internos é importante. Mas existe uma linha muito clara entre fortalecer a capacidade emocional e desconsiderar o contexto em que a pessoa vive.

Quando o sofrimento passa a ser interpretado somente como uma questão de mentalidade, algo essencial se perde. A dor deixa de ser compreendida dentro das condições reais de vida e passa a ser tratada como falha individual.

Isso gera um segundo peso. Além da pressão concreta do cotidiano, muitas mulheres passam a se culpar pelo que sentem. Culpam-se pelo cansaço, pela frustração, pela dificuldade de sustentar permanentemente uma narrativa de gratidão.

Nem todo sofrimento indica falta de evolução emocional. Em muitos casos, ele expressa o impacto legítimo de uma realidade que exige demais.

Carta aberta às mulheres que me ensinaram a existir.Hoje, 8 de março, eu penso nas mulheres que vieram antes de mim. Nas...
08/03/2026

Carta aberta às mulheres que me ensinaram a existir.

Hoje, 8 de março, eu penso nas mulheres que vieram antes de mim. Nas que me seguraram pela mão e, de algum jeito, me ensinaram a ocupar o mundo mesmo quando ele parecia estreito demais para nós.

Penso primeiro na minha mãe, a mulher que me trouxe ao mundo. Uma mulher de uma resiliência singular, mas também de uma sensibilidade ímpar. Foi com ela que aprendi, muito cedo, que força não precisa endurecer o coração. Que é possível atravessar a vida com coragem sem perder a delicadeza de sentir.

Penso também na minha avó, tantas vezes vista como uma mulher brava. Hoje entendo que talvez chamassem de bravura aquilo que, na verdade, era outra coisa: uma mulher que sabia estabelecer limites claros. Uma mulher dona de um afeto profundo, de um carinho firme, de um amor que não se confundia com submissão.

Não posso esquecer da minha Dinda, a mulher que eu sempre vi correndo atrás dos próprios sonhos. Talvez em muitos momentos ela nem tenha sido compreendida. E, ainda assim, seguiu. Correu atrás, batalhou, insistiu. Com ela eu aprendi muito sobre ousadia. Aprendi que, às vezes, existir também é ter coragem de não caber nas expectativas dos outros.

Crescer sendo mulher quase sempre significou aprender primeiro a ter cuidado. Cuidado com o corpo, com o horário de voltar para casa, com o jeito de falar, com o espaço que ocupamos. Como se existir já viesse acompanhado de um aviso de risco.

Mas, no meio de tudo isso, houve mulheres que nos mostraram outra possibilidade. Mulheres que, na prática da vida, nos ensinaram que a nossa presença no mundo tem valor. Que a nossa voz importa. Que a nossa dignidade não deveria depender da permissão de ninguém.

Em um tempo em que ainda vemos tantas mulheres sendo silenciadas, agredidas e violentadas, lembrar dessas mulheres também é uma forma de reconhecer de onde vem a nossa força.

Porque, para muitas de nós, existir ainda exige coragem.

Que hoje seja um dia de lembrar quem nos sustentou. E também de assumir o compromisso de sustentar outras mulheres.

Para que as meninas que estão crescendo agora não precisem aprender primeiro a sobreviver para depois aprender a viver.

Quando eu recebo no consultório uma paciente que passou por um ab**to espontâneo, recente ou até de muito tempo atrás, u...
06/03/2026

Quando eu recebo no consultório uma paciente que passou por um ab**to espontâneo, recente ou até de muito tempo atrás, uma coisa sempre me atravessa: o quanto essa dor, muitas vezes, não encontrou acolhimento.

É doloroso perceber que, além da própria perda, muitas mulheres precisaram lidar também com falas que diminuem, relativizam ou tentam explicar aquilo que ainda está sendo sentido. Comentários que parecem pequenos, mas que carregam uma mensagem implícita de que talvez aquela dor esteja sendo “grande demais”.

O ab**to espontâneo ainda é uma experiência profundamente invisibilizada. Como se o luto só pudesse existir quando a gestação já estava mais avançada, quando já havia barriga visível, quando o mundo ao redor já reconhecia aquela vida que estava por vir.

Mas, para muitas mulheres, o vínculo começa muito antes disso. Começa no momento em que a gestação é descoberta, nas imagens internas que vão se formando, nas expectativas silenciosas que passam a habitar aquele lugar.

Quando essa perda acontece e o ambiente responde com pressa, comparação ou minimização, algo muito delicado acontece: além de viver o luto, a mulher precisa lidar com a sensação de que sua dor talvez não seja legítima.

E nenhuma mulher deveria precisar justif**ar o próprio sofrimento diante de uma perda.

Em um dos últimos finais de semana de fevereiro, enquanto eu br**cava com a Lua, me peguei pensando: eu sou uma mãe que ...
04/03/2026

Em um dos últimos finais de semana de fevereiro, enquanto eu br**cava com a Lua, me peguei pensando: eu sou uma mãe que br**ca.

Eu sento no chão. Entro na água. Faço castelo. Invento história.

Na maior parte do tempo, eu sou uma mãe paciente. Que acolhe. Que valida. Que tenta escutar antes de corrigir. Que explica. Que olha nos olhos.

Mas eu também sou a mãe que às vezes se desorganiza por dentro. Que se frustra. Que se cansa. Que perde o tom. Que depois f**a pensando que poderia ter feito diferente.

E é curioso como, mesmo em momentos bons, a comparação encontra espaço.

Porque não envolve apenas o que eu faço. Existe uma régua invisível medindo quem eu deveria ser.

Na maternidade, essa régua costuma ser dura. A gente mede. Compara. Se cobra. Se pergunta se está fazendo o suficiente.

Suficiente para quem?

Na clínica, eu vejo que essa autoexigência raramente começa quando nasce um filho. Ela já existia antes. A maternidade só amplia. Geralmente tem relação com histórias antigas, com esquemas de exigência, desempenho e insuficiência. Não diz respeito a um episódio isolado, mas a uma sensação persistente de não ser bastante.

Maternidade real não é coerência permanente. É oscilação. É presença possível. É errar e depois reparar.

Eu sou uma mãe que acolhe.
E sou uma mãe que falha.

Eu sou uma mãe regulada.
E também sou uma mãe que às vezes se desregula e tenta fazer diferente depois.

Eu não sou todas as mães. Eu sou a mãe que eu consigo ser, com as minhas forças e meus limites.

Talvez o que nossos filhos mais precisem não seja de estabilidade o tempo inteiro, mas de humanidade. De alguém que erra, repara e permanece.

Empatia não é se deixar pra depois.Tu pode entender o outro, sim. Pode tentar ver o lado dele, pode acolher a história. ...
02/03/2026

Empatia não é se deixar pra depois.

Tu pode entender o outro, sim. Pode tentar ver o lado dele, pode acolher a história. Mas se, no meio disso, tu começa a engolir coisas que te machucam, a justif**ar desrespeito, a atravessar teus próprios limites em silêncio… tem algo errado aí.

Eu vejo muitas mulheres confundindo maturidade com tolerar tudo. Não é.
Relação saudável não pede que tu te diminua para caber. Não pede que tu suporte o que te fere só porque “tu entende”.

Tem horas em que o limite é a forma mais honesta de cuidado.
Com o outro, inclusive. Mas principalmente contigo.

Se isso te tocou, salva. Às vezes a gente precisa reler até acreditar.

Nem toda autoanulação é evidente. Muitas vezes ela se disfarça de maturidade, de empatia, de amor. Tu escolhe melhor as ...
25/02/2026

Nem toda autoanulação é evidente. Muitas vezes ela se disfarça de maturidade, de empatia, de amor. Tu escolhe melhor as palavras, evita conflito, segura o que te incomoda porque acredita que está sendo equilibrada.

Mas, aos poucos, tu percebe que quase sempre é tu quem regula, quem sustenta, quem entende. Não porque concorda, mas porque não quer perder o vínculo.

Empatia é uma virtude. O problema é quando ela exige que tu silencie teu próprio desconforto repetidamente. Quando só um lado se adapta, a relação deixa de ser troca e começa a ser compensação.

Cuidar do outro não inclui se responsabilizar pelo que ele não dá conta.

Se tu anda cansada de entender demais, talvez não seja falta de amor. Talvez seja falta de limite.

Nem toda meta é mensurável.Algumas não cabem em listas, planilhas ou aplicativos de organização.Dormir melhor. Pedir aju...
23/02/2026

Nem toda meta é mensurável.
Algumas não cabem em listas, planilhas ou aplicativos de organização.

Dormir melhor. Pedir ajuda. Dizer não. Diminuir a autocrítica. Voltar a se escutar.

Essas também são metas, e muitas vezes as mais difíceis. Porque não dependem de produtividade, dependem de consciência. Não exigem desempenho, exigem maturidade emocional.

A gente foi ensinada a medir avanço por resultados visíveis. Mas existe um tipo de crescimento que acontece por dentro. Silencioso. Quase invisível. E profundamente transformador.

Talvez, neste momento da tua vida, a meta mais importante não seja fazer mais.
Seja se tratar com mais gentileza enquanto faz.

Existe uma expectativa pouco falada de que quem está em terapia deveria estar emocionalmente mais estável, mais conscien...
20/02/2026

Existe uma expectativa pouco falada de que quem está em terapia deveria estar emocionalmente mais estável, mais consciente, mais coerente. Como se o processo garantisse constância.

Mas terapia não impede ativação de esquemas, não neutraliza modos protetores e não elimina períodos de evitação. Em alguns momentos, quando conteúdos f**am mais sensíveis, o afastamento pode ser justamente uma forma aprendida de proteção.

Nem sempre a terapia está em dia. Às vezes pela rotina, às vezes pelo financeiro, às vezes porque sustentar contato emocional profundo exige mais do que se imaginava naquele momento.

Isso não invalida o processo. Revela que ele é humano.

Maturidade emocional não é ausência de oscilação. É a capacidade de perceber quando se afastou e, gradualmente, escolher retornar.

Quando tudo f**a demais, tem algo sendo dito.Agenda cheia demais.Responsabilidade demais.Pensamento demais.Autocrítica d...
18/02/2026

Quando tudo f**a demais, tem algo sendo dito.

Agenda cheia demais.
Responsabilidade demais.
Pensamento demais.
Autocrítica demais.

O excesso não é só característica.
É linguagem.

Tem gente que não explode. Se ocupa.
Não chora. Produz.
Não pede. Aguenta.

E assim vai se enchendo… até transbordar por dentro.

O excesso também comunica.
E quase sempre revela onde os limites não estão sendo respeitados.

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