18/08/2025
Estava eu em uma conversa difícil, daquelas que não levam a lugar algum, mas significam um monte de coisas. Essas conversas também são necessárias.
Eu via a minha frente a cabeça de dinossauro de brinquedo e um baldinho (que na verdade é um cachepô) cheio de brinquedos aleatórios, de meu filho.
Por alguns instantes me desconectei das palavras duras, me silenciei e me peguei pensando em quantas vezes estive nesse mesmo lugar, reagindo como um dinossauro: A qualquer sinal de movimentação, atacando. Na verdade, me defendendo de coisas que talvez só eram ameaças para mim.
E com certeza, esse foi um fator para as inúmeras conversas de lugar algum.
Eu estava cansada de ser dinossauro.
Olhei um pouco mais à baixo, vi o baldinho de cacareco, quase transbordando, mas seguindo firme seu propósito de guarda.
Eis que me identifiquei mais com o balde, dessa vez. Acredito que nas outras também. Mas eu tendo a não reagir bem ao misto de emoções desconfortáveis: primeiro eu ataco, depois eu vejo o que faço. E eu estava cansada de pegar os pedaços que o dinossauro deixa…
Eu era só um baldinho: cheio de coisas que não deviam estar ali, mas ali estava.
Quando dei por mim, as lágrimas molharam meu rosto. Pronto. O baldinho transbordou. Mas dessa vez, não pegou em ninguém. Sem pedaços pelo caminho.
Voltei a escutar as palavras, estava triste, mas atenta.
A novidade? Eu havia ESCOLHIDO como agir. Conscientemente. Eu sabia o que eu queria, o que eu sentia e do que eu precisava. Eu consegui me desvincular do desconforto para fazer o que devia ser feito. Foi uma ESCOLHA. Não REAÇÃO.
A conversa acabou ali. E pela primeira vez em anos, chegou-se a um lugar: O silêncio, que além de resposta, pode ser um lugar agradável, por incrível que pareça.
Era tristeza. Não era raiva ou frustração.
Lidar com emoções requer conhecê-las. Aceitá-las, requer consciência de si e do momento.
Mas para chegar ai, talvez antes precisemos de tempo e prática.
Com tudo isso, só aumenta minha convicção de que:
Escolher como agir é libertador 🎯