09/07/2025
Um corpo que viveu uma transformação profunda — que gerou, nutriu, pariu. Mas ele não volta a ser como era quando a gente quer.
Às vezes a gente se olha no espelho e mal se reconhece. A barriga que não voltou, os seios diferentes, a pele marcada, o cansaço no olhar. E, mesmo com toda a alegria de ter o bebê nos braços, pode doer se sentir assim — fora do próprio eixo.
O homem, por mais presente e amoroso que seja, não sente no corpo o que a mulher vive. Não sangra por semanas, não enfrenta as oscilações hormonais, não amamenta em madrugadas vazias com o corpo exausto. Existe um abismo entre as vivências. E é importante reconhecer isso sem criar culpa, mas com acolhimento e consciência.
Por isso, paciência. Amor. E, ao mesmo tempo, cuidado. Não como cobrança, mas como carinho. Cuidar de si — com descanso possível, com alimento de verdade, com movimento gentil — é um ato de amor, não de estética.
O corpo vai, aos poucos, se reorganizando. O útero leva semanas para voltar ao seu lugar. A barriga desincha devagar. As emoções também.
Você não está sozinha.
Seu corpo é casa. Seu corpo é ponte. Ele não precisa ser o de antes. Ele é o de agora: forte, potente, real.
E merece cuidado, não julgamento.