26/03/2026
Quantas coisas você perdeu por não dizer o que sente?
A gente aprende cedo a medir palavras, a engolir verdades, a adiar confissões como se o tempo fosse sempre generoso. Como se houvesse depois. Como se o outro fosse permanecer disponível, aberto, ali esperando exatamente o momento em que a gente finalmente se autoriza a falar.
Mas o que não é dito não f**a guardado intacto. O silêncio também transforma. Ele distorce, endurece, às vezes apaga. Aquilo que poderia ter sido encontro vira suposição. O que poderia ter sido gesto vira falta. E o que era desejo vai se acomodando em um lugar mais seguro e mais triste.
Não dizer o que sente não é só evitar um risco. É também escolher uma perda.
Perde-se a chance de ser visto de verdade.
Perde-se a possibilidade de construir algo que só existiria a partir daquela verdade dita.
Perde-se o direito de ocupar um lugar inteiro na própria história.
E, ainda assim, o silêncio seduz. Porque falar implica se expor, e se expor implica não ter controle sobre o que o outro fará com aquilo. Talvez ele não corresponda. Talvez ele vá embora. Talvez ele não entenda.
Mas o curioso é que, tentando evitar essas perdas, a gente cria outras mais silenciosas, mais prolongadas.
Perdas que não fazem barulho, mas que vão se acumulando: relações que nunca começam, afetos que nunca se aprofundam, versões de si mesma que nunca chegam a existir.
Dizer o que se sente não garante permanência.
Mas não dizer garante ausência.
E no fim, talvez a pergunta não seja só sobre o que você perdeu, mas sobre o que ainda está disposto a perder para continuar em silêncio.