22/01/2022
Relembro aqui uma sessão de perguntas e respostas nos Stories e essa resposta, que julgo importante. 👉O maior desafio hoje é convencer as pessoas que é uma doença crônica e recorrente, e de muito difícil tratamento e, sendo assim, necessita tratamento crônico (seja ele ́ciosfísicos mudança de comportamento, medicações ou o que for). Se acharmos que tratar a obesidade é perder peso, apenas, esquecendo da manutenção, o insucesso é quase certo. 👉Talvez tenha faltado falar que obesidade é uma doença metabólica (em que o corpo defenderá o peso máximo) com componente genético importante, e não um problema psicológico individual, como muitos ainda pensam (inclusive médicos). Claro, há fatores psicológicos, culturais e sociais envolvidos, e isso na verdade torna o tratamento ainda mais complexo, pois também não é só tratar a fisiologia. 👉Mas entender essa complexidade pode ajudar pessoas a buscar tratamento profissional sem se envergonharem disto; ajudar a médicos não especialistas a encaminhar os pacientes para tratamento ou pelo menos não criticar tratamentos em andamento (acreditem se quiser, mas é comum pacientes me contarem que ouviram de outros médicos criticando e desencorajando meu tratamento). 👉Há um longo caminho a percorrer. Há alguns anos, em um artigo em uma das revistas de Medicina mais importantes do mundo (JAMA), o estigma aparece quando um médico diz que resolver problemas de saúde da população é fácil, basta cada um comer 300 kcal a menos por dia (ou não comer após o jantar). 👉Se mesmo no meio acadêmico ouvimos isso, imagine como é difícil mudar o cenário. 👉Acredito que obesidade deve ser disciplina obrigatória na faculdade de medicina (é rara uma faculdade que tem apenas uma aula nos 6 anos sobre o tema, apenas de mais de 50% da população estar acima do peso). 👉Enquanto isso, devemos seguir nosso trabalho de formiguinha na Internet, fornecendo informação de qualidade sobre o assunto!