30/12/2025
Trata-se de uma inversão grave da realidade.
Quando milhares de usuários reclamam de negativas de cobertura, atrasos, descredenciamentos abruptos e descumprimento contratual, não estamos diante de um surto coletivo de ansiedade, mas de condutas reiteradas e estruturalmente abusivas. A própria judicialização em massa, com decisões majoritariamente favoráveis aos pacientes, desmonta por completo essa narrativa.
Culpar o sofrimento psíquico do usuário é, além de tecnicamente frágil, eticamente reprovável. É deslocar o foco do problema “a falha regulatória e o comportamento das operadoras” para o indivíduo adoecido, fragilizado e dependente do sistema. É patologizar a reação legítima de quem tem um direito violado.
Mais grave ainda é o silêncio institucional. Mesmo diante de exposições claras e fundamentadas sobre essas problemáticas, realizadas em espaço democrático, na Câmara dos Deputados, a ANS simplesmente optou por não tratar do assunto, como se a ausência de resposta fosse uma estratégia aceitável de gestão pública. Quando o regulador se cala diante do Legislativo e transfere a culpa aos usuários, o que se revela não é cautela técnica, mas descompromisso com a função regulatória.
Uma agência que deveria proteger o cidadão não pode normalizar a dor, minimizar a denúncia e desqualif**ar quem reclama. Reclamação não é ansiedade: é sintoma de um sistema que falha repetidamente.
Enquanto isso, o cotidiano dos beneficiários segue marcado por negativas automatizadas, respostas evasivas e uma burocracia desumanizada, onde ninguém decide, ninguém resolve e ninguém se responsabiliza.
A vida e a saúde das pessoas está virando aquele tecle “1 tecle 2” e “estarei verif**ando” bem conhecidos de toda a população. VERGONHOSO; ULTRAJANTE; SÓRDIDO.