06/04/2025
Nem toda lágrima pede compaixão. Algumas são apenas o reflexo das escolhas feitas ao longo do caminho.
O adicto que escolhe usar sabe, no fundo, o preço que vai pagar. Por mais que a droga anestesie por um momento, a dor sempre volta — e vem dobrada. A culpa, a vergonha, a destruição das relações, o vazio que nunca se preenche… tudo isso já é esperado.
Ainda assim, ele segue, acreditando na ilusão de que pode lidar com as consequências depois.
Só que chega um momento em que não há mais como adiar a realidade. A escolha de continuar ou parar sempre esteve ali e, por mais difícil que seja, ninguém pode tomá-la por ele.
E, quando a conta chega, não há como transferi-la para ninguém. Não é a família que vai pagar, não são os amigos, nem aqueles que tentaram ajudá-lo.
A responsabilidade é dele — e só dele.
Porque, no fim, a droga cobra juros altos, e a única saída real é parar de alimentar essa dívida antes que ela tome tudo o que resta.
🔷Pablo Bulau Ramos
Terapeuta,conselheiro em toxicodependência,analista comportamental,Terapeuta familiar condescendência,e psicanalista