Eduardo Kives

Eduardo Kives Psicólogo. Mestrado e Especialização pela Universidade Paris-Diderot Sorbonne Paris Cité
Atendimentos online e presencial (agenda aberta)

Ler é preciso. É fundamental, já que, a cada momento, nos perguntamos sobre a consistência daquilo que está estabelecido...
19/12/2025

Ler é preciso. É fundamental, já que, a cada momento, nos perguntamos sobre a consistência daquilo que está estabelecido, daquilo que parece estar dado, dado de antemão. Espanta alguém a ideia de que há uma leitura possível da Ciência que a lê como Religião? Ou então de que há um trabalho possível com o que vem da Religião, da Tradição, que produz formas tão interessantes de leitura, articulando novas conjecturas (ao invés de santas verdades), trabalho esse que mereceria muitos adjetivos e advérbios, porém, com pouca probabilidade, se diria que ele se faz “religiosamente” ou “nas trevas da tradição”?
O quanto a Ciência dá conta - sozinha, prescindindo de qualquer tradição -, de ensinar alguém a ler? O quanto a Ciência, ao fazer tábula rasa das tradições, não acabou, ao mesmo tempo, repetindo de alguma forma o gesto de Abraão? Quebrou todos os ídolos e, em seguida, pôs-se no pedestal de adoração...
A psicanálise só pode existir como lugar de endereçamento do sofrimento humano em um universo marcado pelo advento de Ciência, em que existe, insiste e persiste um “Por quê?”, o da pergunta “Por que isto acontece comigo?”, e apenas nos casos em que não se encontra imediatamente uma resposta qualquer no senso comum.
Porém a Ciência, quando ocorre de ela desprezar a Tradição, coloca ao mesmo tempo um problema para a Psicanálise. A Psicanálise poderia então f**ar reduzida a uma superficialidade, um blá-blá-blá, enquanto que a Ciência, com seus métodos e medicamentos, iria direto à raiz do problema. Aí a Psicanálise precisaria responder: “Como chegar à raiz do problema sem abordar o problema das raízes?”.
A psicanálise, ao trabalhar com uma condição radical da pergunta, devolve à Ciência sua verdade. O saber é uma conjectura, que pode funcionar bem, ou até muito bem, porém isto não o torna a derradeira verdade. E se o sujeito tem raízes em uma Tradição, não seria navegando em suas águas (as da Tradição) que ele poderia aprender formas interessantes (ou mesmo importantes) de lê-la e de se relacionar com ela?

“Quem tem tempo para uma análise?” é uma pergunta que se escuta, quase, culturalmente. Ela é endereçada, em alta voz, às...
16/12/2025

“Quem tem tempo para uma análise?” é uma pergunta que se escuta, quase, culturalmente. Ela é endereçada, em alta voz, às paredes de um cânion, o cânion da cultura, que, em eco, diz: “E quem tem tempo para qualquer coisa?”.
O quanto um sujeito, para entrar em análise, precisa, em certo sentido, aceitar despossuir-se de seu tempo? Aceitar, como no famoso dito freudiano, não ser “senhor de sua própria casa” - e tampouco de seu tempo?
E quem estará disposto a dar, em prol do processo analítico, um tempo que não se tem? Não é apenas que o sujeito não tenha esse tempo, mas é que esse tempo não ‘se’ tem. Quer dizer, esse tempo não é como um objeto vendido aí em qualquer esquina, nem é algo que alguém possa efetivamente possuir.
Em conversa com colegas, percebo que se concebe bastante a sessão como “espaço”. Pensa-se em como o paciente se relaciona com esse espaço, que ele tem em sua semana, para falar de si, cuidar de si, dar valor a suas questões.
Mas a categoria “tempo”, parece-me, merece ter sua importância relacionada a sua especificidade. Talvez ‘espaço’ seja um termo que vem bastante associado a ‘domínio’, ‘conquista’, ‘propriedade’, enquanto que o tempo é algo que corre, nos ultrapassa, despossui.
Sou levado a pensar que a análise, para operar, precisa criar um tempo, tempo que, em certo sentido, o sujeito não tem, nunca teve, nem nunca terá. Porém, se, mesmo com tudo isso, esse tempo puder ser criado, há chances de que o processo analítico ocorra.
Será o tempo de se deparar com “aquilo” que leva alguém a consultar um analista, incluindo aí todos os rodeios necessários para que uma fala seja transformadora, tal qual substância viva, e não como letra morta.
É o tempo, também, que encontramos na fala de Lacan (Seminário I): “O ideal da análise não é o domínio completo de si, a ausência de paixão. É tornar o sujeito capaz de sustentar o diálogo analítico, de não falar nem muito cedo, nem muito tarde”.
Nem muito cedo, nem muito tarde. Por aí.

Esta imagem serve para pensar algo?Seria a explosão a consequência lógica do acúmulo de fissuras? Ou a explosão seria, q...
12/12/2025

Esta imagem serve para pensar algo?
Seria a explosão a consequência lógica do acúmulo de fissuras? Ou a explosão seria, quem sabe, a prova de que não houve (suficiente) fissura?
Uma relação, por mais que aos olhos da perfeição não pareça, tem fissuras.
Pensar uma relação “sem fissuras” equivale a negar aquele pouco de realidade (isto é, aquele pouco de outridade) que vive fora da loucura do amor, em que dois fazem Um.
As fissuras seriam como essas outras notas que podem atrapalhar a cantilena perfeita do Amor. Mas quem conseguiria tornar-se tão surdo a ponto de não escutá-las?
Pergunto-me: A força da negação “Não há fissura” poderia fazer a relação explodir? Ou então, até, implodir? A pensar em termos de ‘dentro’ e ‘fora’, seria muito paradoxal conceber que a pressão interna a este Um da relação poderia fazê-la colapsar para dentro de si mesma?
“Explosão” não deixa de trazer consigo certa ideia de alívio, como quando assistimos a vídeos ASMR (Autonomous Sensory Meridian Response) de balão explodindo em câmera lenta.
“Implosão”, parece-me, é algo mais tenso. Não tem caco, estilhaço voando pra tudo que é lado. Não tem o poder criativo, a contaminação criativa da explosão. A coisa implode, f**a contida em seu próprio espaço, vira resto, e se compacta. E então some, desaparece.

O que f**a, eventualmente, encoberto no dito “tempo é dinheiro” (“time is money”)?O dinheiro tem uma relação engraçada c...
04/12/2025

O que f**a, eventualmente, encoberto no dito “tempo é dinheiro” (“time is money”)?
O dinheiro tem uma relação engraçada com o tempo, pois não é claro que ele possa exatamente comprá-lo.
Em algum sentido, sim. No sentido do manejo cotidiano da vida, e no sentido do privilégio de classe: não precisar se submeter tanto aos caprichos (e abusos) do mercado.
Mas, para além disso, há limites. É que, ao que parece, compra-se a possibilidade de certo “uso do tempo”, e não o tempo em si. Não se compra, propriamente falando, “mais tempo”. E o tempo que alguém “compra”, ele se esvai igual, na hora, poderíamos dizer, no ato mesmo da compra.
Ao puxar esta cortina que é a palavra “money”, talvez eu me depare com este buraco em “time is ...” – buraco de aberta definição (ou indefinição). Nem mesmo o relógio poderia preenchê-lo.
Pois como conceber aquilo que é o tempo de uma relação, o tempo de um projeto, de uma questão, de um enrosco, o tempo de brincar, de estar com os amigos, o tempo de uma chegada, ou o tempo de uma despedida?
E o quanto um acontecimento particular, ou na sociedade em geral (como a pandemia), pode ser capaz de, ao subverter os encobrimentos cotidianos da finitude do tempo, colocar alguém a pensar no que quer deste tempo que resta, ou, se esta pessoa buscar uma análise, a ousar deixar falar em si algo que se expresse como um desejo?

De que maneira se orientaria um tratamento pautado pelos princípios da Black Friday?Algumas possíveis direções:1. A perg...
28/11/2025

De que maneira se orientaria um tratamento pautado pelos princípios da Black Friday?

Algumas possíveis direções:

1. A pergunta pelo desejo encontra sua resposta na existência de um objeto que se pode concretamente pegar (se se puder comprá-lo).
2. A angústia, da mesma forma, se resolve e se apazigua através da obtenção de um objeto, de uma compra.
3. O desejo é comprado em promoção. Isto é, encontra-se uma maneira de adquirir sem pagar, ou sem pagar o devido valor, aquilo que, para alguém, seria o que lhe é mais caro.

Mas corra para a loja, porque acaba hoje.

(Obs: O texto acima utiliza de ironia para tentar produzir um contraste entre a lógica do hiperconsumismo e a ideia de um tratamento psicanalítico)

A relação que uma pessoa tem com seu dito diagnóstico pode ser inclusive mais interessante do que seu próprio diagnóstic...
19/11/2025

A relação que uma pessoa tem com seu dito diagnóstico pode ser inclusive mais interessante do que seu próprio diagnóstico.
Pode ser algo como uma identidade.
Pode ser um organizador de sua percepção das coisas.
Pode ser uma desculpa.
Ou então uma validação.
Pode ser um chamado ao cuidado.
E pode ser até o Sentido da Vida. Nesse caso, o sujeito f**a maravilhado. Bom, se ele realmente achou o Sentido da Vida, como poderia ser diferente? E se não há meios de baixá-lo desse vôo nas nuvens, então ele f**ará lá, flutuando neste céu delicioso.
Pode ser que, para outra pessoa, o diagnóstico não seja lá grandes coisas.
Outro diz: “Prefiro até não saber... Não me faz tanta diferença, agora, saber ou não saber; porém, se eu vier a saber, acho que de alguma forma vou ser afetado por isto”.
Com exceção dos afortunados que encontraram o Sentido da Vida, nunca saberemos se o diagnóstico corresponde exatamente à verdade. O que podemos afirmar é que, muitas vezes, ele funciona, para um sujeito, como um saber sobre si. Um saber às vezes tão dominante (sobre os outros saberes que alguém pode ter de si), tão importante, e também tão insuficiente, tão capenga... e, em alguns casos, seria preciso mesmo dizer: tão falso.
Falso: se não conseguimos mais detectar a presença daquele sujeito que passou a ser comandado pelo diagnóstico que monopoliza a comunicação de sua verdade.

A expressão está na obra de Cícero “Sobre a Amizade”: “(...) a maioria das pessoas não reconhece nada como bom em suas v...
10/11/2025

A expressão está na obra de Cícero “Sobre a Amizade”: “(...) a maioria das pessoas não reconhece nada como bom em suas vidas, a menos que seja lucrativo. Elas veem os amigos como um investimento (...), nunca experimentam a beleza e espontaneidade da amizade genuína (...) Cada indivíduo ama a si mesmo, não por qualquer recompensa que esse amor possa trazer, mas simplesmente porque ele é estimado por si mesmo, independentemente de qualquer outra coisa. No entanto, a menos que esse sentimento seja estendido a outra pessoa, a verdadeira natureza de um amigo nunca será revelada, pois esse é como um segundo eu”.
O amigo como um segundo eu. Essa fórmula atinge por sua simplicidade.
Não se trata, me parece, de entendê-la segundo aquele modelo freudiano do enamoramento, em que a energia com que o Eu estava investido se desloca para investir o objeto amado. Na equação deste modelo, o Eu f**a, de certo modo, “negativo” em energia, ou seja, perde-a, para que o objeto amado fique “positivo”.
Mas e se o amigo, como segundo eu, fosse considerado como o caso de uma soma positiva para as duas partes?
Dois amigos se encontram para f**ar em silêncio... E aí? Quem sabe este silêncio possa se escutar como sinal da pura potência do vínculo.
O que é próprio da amizade, em sua diferença para com o amor? De que forma ela pode apresentar-se como um vínculo ainda mais incondicional do que o amor, mais livre das ambiguidades e das dinâmicas sintomáticas do campo amoroso, às vezes até mais prenhe na qualidade das experiências que a parceria torna possível?
E quantos são aqueles que configuraram sua vida de modo a se afastar das amizades ao se lançarem em um grande amor, e acabaram sentindo o preço pago no vácuo deixado por este vínculo “sagrado”? Ou mesmo que põem em questão se alguma vez em sua vida lhes ocorreu esta magia da duplicação, para falar a língua de Cícero, haverem encontrado um segundo eu?

“Ter a terapia em dia”, quando escutei pela primeira vez, achei graça. Seria algo correlato a “estar com a academia em d...
04/11/2025

“Ter a terapia em dia”, quando escutei pela primeira vez, achei graça. Seria algo correlato a “estar com a academia em dia”? Faz algum sentido, se pensarmos que a terapia se alimenta de um enquadre, frequência, regularidade – que é preciso que algo da ritualística das sessões esteja “em dia”, integrado na vida do paciente.
Depois encontrei a expressão no campo do flerte. Em um aplicativo de relacionamentos, alguém se descreve assim: “terapia em dia”. A função, aqui, deste “terapia em dia”, seria algo como uma bela roupa com que escolho me mostrar? Algo que possa constar em uma lista de atributos fálicos: casa, carro, emprego e “terapia em dia”? E o psicólogo, teria ele então descoberto que é possuidor de um item de alto valor, imaterial por certo, mas que reluz o brilho do fetiche da mercadoria?
(Quando colocamos as lentes do mercado, parece ser uma boa estratégia pensar-se a terapia como algo que precisa estar “em dia”, ou seja, que se você parar de consumir o produto “terapia”, pode ser que ele “expire”)
Casada com a expressão “terapia em dia”, está uma outra: “todo mundo precisaria fazer terapia”.
Muito se representou, historicamente, o consultório como herdeiro do confessionário. Que a terapia não se dê nos moldes de uma confissão, este parece ser um desafio passível de ser manejado tecnicamente. Mas será que encontramos um outro modo da associação terapia-religião na expressão “todo mundo precisaria fazer terapia”, transmitida como um novo e secular evangelho? Todos precisam passar pela experiência da Revelação da Verdade, ou, então, em um contexto laico, por uma terapia.
A postura da psicanálise frente a isto seria, em minha opinião: Poder reconhecer o valor que a terapia tem para alguém, as mudanças que ela, em muitas situações, produz, sem, contudo, precisar, para isto, subscrever a uma lógica totalizante. Isto é, poder também afirmar: Nem todo mundo precisa fazer terapia, e não se atribui a priori nenhum valor especial, a menos que nossas considerações se refiram ao contexto específico de um caso, a que a terapia de alguém esteja “em dia”.

A psicanálise poderia ser considerada, por alguns, como uma prática essencialmente urbana. Surgiu em Viena, e prosperou ...
02/11/2025

A psicanálise poderia ser considerada, por alguns, como uma prática essencialmente urbana. Surgiu em Viena, e prosperou em grandes cidades, Buenos Aires, Paris e Nova Iorque estando entre as mais célebres.
Questiono: O quanto esta propriedade, ser ‘urbana’, poderia ser tomada como uma de suas condições de possibilidade?
Através dos atendimentos on-line, a psicanálise chegou com mais força ao interior do Brasil, e a experiência trouxe consigo algumas percepções.
Talvez, realmente, pareça às vezes que a prática da psicanálise com a população interiorana se dê fora de seu “elemento natural”, em lugares onde, apesar de ela haver chegado (para o on-line, basta dispor-se de rede de internet e computador ou smartphone), ela o fez antes de haver adquirido certo estatuto, representação social e inserção cultural.
Porém, questiono: Existiriam fatores, no interior, que favoreceriam a experiência da psicanálise?
É possível que a cultura do interior do Brasil esteja menos tomada pelo individualismo que impregna a mentalidade das grandes cidades.
O individualismo, em si, não é um empecilho à análise, porém, quando levado a seu cúmulo, quando chega a traduzir-se na crença de um indivíduo autoproduzido, que recusa pensar-se como um indivíduo com história, bom, aí, pode ser que a coisa se complique.
“Não quero deixar pro meu filho a pampa pobre que herdei de meu pai”, diz a canção, encadeando gerações. E esta pampa, não poderia ser eventualmente terreno fértil para uma psicanálise?

06/10/2025
A idealização do objeto amado poderia muito bem ser comparada a uma compra no cartão de crédito. Pode até se dar, nessa ...
23/09/2025

A idealização do objeto amado poderia muito bem ser comparada a uma compra no cartão de crédito. Pode até se dar, nessa transação, aquilo que não se tem, se o momento é de otimismo no mercado do desejo - e o crédito está disponível. Há um porém, no entanto, quando o sujeito, por qualquer motivo que seja, vai separar-se do objeto amado. Não há como ele haver previsto, em seu ato de compra idealizada, de que forma ele faria para quitar a fatura.(Refiro-me menos à fatura da separação, do que à fatura da desidealização).

É claro que separar-se, quando a idealização do objeto amado é muito forte, é tarefa difícil. Porém, mesmo quando a separação já tenha de alguma forma se instaurado, a idealização poderá ainda fazer os seus retornos, seja de forma mais aberta, confessada sem grandes pudores, ou de forma mais sorrateira, como em um lapso em sessão de análise. Por isso a desidealização pode parecer, em alguns casos, como sendo um processo psíquico que dá um passo a mais em relação à separação; um passo que, ao mesmo tempo, confirma e consolida o fato de que o sujeito tenha se separado.

Em alguns casos, f**a a pergunta: pode o sujeito haver realmente se separado de algo/alguém sem que o tenha, também, desidealizado?

“Comer com os olhos”, expressão que vale se a tomarmos em sua literalidade. Não como “simples” metáfora. Os olhos comem ...
18/09/2025

“Comer com os olhos”, expressão que vale se a tomarmos em sua literalidade. Não como “simples” metáfora. Os olhos comem porque o que vemos - e o que nos olha - nos constitui, nutricionalmente. Um bebê se alimenta classicamente de leite. Hoje, de leite e telas. Qual será a função daqueles que estão com ele - pais, familiares, cuidadores - para ajudá-lo na tarefa de digestão (tanto do leite como da excitação das telas)? E como ele adquire, mimetiza, incorpora, os costumes e tradições alimentares de seus pais (por sua vez, consumidores de, provavelmente não leite, já que o leite tem andado em baixa, porém seguramente de telas)? Quais podem ser pensados como sendo os efeitos dessa dieta, também do ponto de vista daquilo que falta - quem sabe, uma certa qualidade não-tão-tecnológica do olhar?

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