11/05/2026
Muitas vezes, realmente precisamos conter uma emoção para conseguir pensar, agir ou atravessar uma situação difícil. Nem tudo pode ser descarregado imediatamente, e conseguir se organizar emocionalmente também faz parte da vida psíquica.
Mas conter não é o mesmo que negar.
Porque, mesmo quando uma emoção parece exagerada, inadequada ou sem sentido diante da situação externa, ela continua tendo um signif**ado dentro da nossa realidade interna. O fato de algo não parecer lógico não signif**a que seja vazio de sentido.
Às vezes, aprendemos a tratar certas emoções como algo que precisa ser escondido: raiva, tristeza, medo, ciúme, fragilidade. Como se sentir demais fosse sinal de fraqueza, imaturidade ou falta de controle.
Só que aquilo que é deixado de lado não desaparece. Continua existindo de outras formas: no corpo, nas relações, na irritação constante, no cansaço emocional ou numa sensação difícil de explicar de distanciamento de si.
E entrar em contato com isso nem sempre é confortável. Muitas vezes é doloroso, porque implica reconhecer partes da experiência que não combinam com a imagem que gostaríamos de ter de nós mesmos.
Talvez por isso seja mais fácil acreditar que força é não sentir.
Mas será que deixar uma emoção de lado faz com que ela deixe de existir?
E será que ser forte é não entrar em contato consigo?
Em que momento sentir passou a parecer fraqueza?
Marina Cerutti Lima | Psicologia
A arte de ser
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