12/02/2026
Compartilhe este post com alguém que cuida de uma pessoa com demência e já passou (ou pode passar) por uma situação constrangedora com comportamentos se***is.
Sim: pode existir hipersexualidade/desinibição sexual na demência. E quando aparece, costuma abalar a casa e também o cuidado profissional. O ponto mais importante é este: não é “falta de caráter” nem “perversão”. É um sintoma neuropsiquiátrico ligado às mudanças no cérebro.
Ela pode se manifestar como toques sem consentimento, exposição ge***al, masturbação em público, propostas inadequadas. Não é o mais frequente, mas acontece: estudos descrevem prevalências entre 2% e 17%, com trabalhos apontando algo em torno de 9,3%.
• Por que ocorre?
A demência pode afetar áreas que funcionam como os “freios” do comportamento: regiões ligadas a julgamento, conduta social e controle de impulsos, especialmente nos lobos frontais. Por isso, é mais comum na demência frontotemporal (variante comportamental); pode ocorrer na demência vascular (dependendo das áreas acometidas) e, no Alzheimer, tende a ser menos comum e aparecer mais em fases moderadas/avançadas.
• Antes de rotular, avalie:
Que comportamento é? Em que contexto? Com que frequência? Quais gatilhos (rotina, privacidade, estímulos)? Qual é o risco, e para quem? Há delirium, alteração de humor ou psicose? E um ponto essencial: há capacidade de consentimento na interação?
• Como lidar (primeira linha):
privacidade na higiene/trocas, reduzir gatilhos visuais, separar ambientes íntimos de áreas sociais, oferecer atividades com propósito e objetos para “ocupar as mãos”, manter rotina previsível, redirecionar com calma e sem humilhação, registrar padrões e treinar cuidadores para colocar limites claros sem confronto.
• Quando buscar ajuda médica:
se há risco, repetição/escalada, sofrimento importante ou se as estratégias ambientais não dão conta. Medicamentos podem ser considerados com cautela, porque não existe “remédio feito para isso” e os efeitos adversos precisam ser pesados com cuidado.
Cuidar é proteger sem desrespeitar. Se isso está acontecendo na sua família ou na equipe, procure orientação profissional.