22/04/2014
Confiram matéria, publicada no jornal Correio do Povo com o Prof. Ivan Izquierdo sobre avanços científicos relacionados à Memória.
Correio do Povo
Ensino | Pág. 7
Clipado em 16/03/2014 09:03:33
Estudos desvendam mistérios do cérebro
Com ações acadêmicas, Semana Nacional visa popularizar a neurociência
Os conhecimentos neurocientíficos, ainda que de forma tímida, ampliam espaços na mídia, popularizando o tema e os tornando de mais fácil compreensão ao grande público. A Semana Nacional do Cérebro, que vem sendo desenvolvida nos últimos anos, sempre no mês de março, tem esse objetivo; e, a cada ano, ganha mais adesões.
Para o coordenador científico do Centro de Memória do Instituto de Cérebro da PUCRS, na Capital, Ivan Izquierdo, a popularização dos avanços nos diagnósticos e tratamentos do cérebro, seja cirúrgico ou não, nos últimos tempos, precisa chegar à população.
Por isso, o neurocientista ressalta que é muito importante a divulgação, orientação e informação à população sobre aspectos da neurociência, sempre em linguagem clara e acessível, para que as pessoas tomem conhecimento do que já existe de descobertas na área. “Nós, pesquisadores, trabalhamos com o objetivo de descobrir novas formas de tratamento; e a mídia, de divulgar. A maioria das pessoas não tem ideia do que já existe”, observa. O especialista destaca que nesses 50 anos dedicados à pesquisa, já houve muitos avanços que resultaram em melhores tratamentos e no aumento da expectativa de vida do brasileiro, que era de 51 anos e, hoje, já está em 74 anos. “É preciso que a população saiba o quanto a pesquisa influenciou nesse crescimento, assim como as conquistas no saneamento básico”, revelou.
Anualmente, através da Semana Internacional do Cérebro e da Semana Nacional de Cérebro, o mês de março é dedicado ao esforço coletivo de popularização dos conhecimentos neurocientíficos. No Brasil, a Semana é promovida pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC). O evento, coordenado por universidades e entidades públicas e privadas envolvidas com o tema, começou segunda-feira (10) e se encerra domingo (16/3).
PUCRS tem pesquisa destacada
Em Porto Alegre, a PUCRS comemora recente divulgação pela revista PNAS, periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, do resultado de importante pesquisa desenvolvida no RS e que poderá acelerar o tratamento de quem já viveu experiências traumáticas. Liderada pelos neurocientistas Iván Izquierdo e Jociane Myskiw, no pioneiro Centro de Memória do Instituto do Cérebro (InsCer) da Universidade, a pesquisa trata da descoberta de um dos mecanismos do cérebro, talvez o principal, que auxilia no tratamento do estresse pós-traumático.
O coordenador científico do Centro de Memória do InsCer/PUCRS, Ivan Izquierdo, destaca a importância do trabalho, desenvolvido nos últimos dez anos e que, a partir da publicação, passa a ser de domínio público. O estudo pode contribuir para o tratamento do trauma, resultante de acidentes e de situação de perigo vivenciados por pessoas e, que, em muitos casos, levam a graves sequelas.
Esse trabalho, segundo Izquierdo, permitiu a descoberta de mecanismos diretamente envolvidos com o processamento de uma memória de medo (lembrança traumática) e também de como pode ser afetada pela exposição prévia a uma novidade. “Descobrimos como estimular a memória do medo a desaparecer e não responder à situação traumática (como acidente, assalto, situação de iminente perigo, prisão...).”
A descoberta indica que o tratamento pós-traumático é positivo, com a exposição aos estímulos que causaram o estresse, mas sem sofrer o trauma. O neurocientista, destaca que o fenômeno se deve ao fluxo intracelular de proteínas entre grupos de sinapses de células do hipocampo distantes entre si. As que estabelecem as memórias de reconhecimento da novidade; e as que estabelecem a memória de extinção ao medo. “Dentro de certos limites de tempo, a memória irrelevante (a novidade) pode melhorar muito a memória importante (a extinção ao medo). Nós demonstramos o mecanismo molecular íntimo dessa facilitação de uma memória pela outra”, explica. O artigo pode ser acessado no link http://j.mp/1irTfi9.
Within a restricted time window, a brief exposure to a novel environment enhances the extinction of contextual fear. This can be explained by a hippocampal process of behaviorally induced synaptic tagging and capture. Here, we report that the effect requires glutamate NMDA receptors and L-voltage–de…