21/04/2026
A minha busca por saúde feminina faz parte da minha história pessoal e de anos dedicados ao estudo e atendimento à saúde.
Nessa caminhada, encontrei dilemas que muitas vezes não consegui comunicar.
Na saúde formal, vi profissionais realmente interessados e dedicados. Existe, sim, o desenvolvimento de técnicas que salvam vidas — avanços no cuidado do parto, no tratamento de infecções e do câncer — e uma evolução ética ao longo do tempo.
Mas muito do que aprendemos sobre saúde feminina ainda nasce de um lugar de controle, preconceitos e pouco respeito à individualidade. O prazer e a sexualidade feminina seguem sendo temas recentes nas formações em saúde.
Na contramão, cresce o campo das medicinas integrativas, que nasce de uma necessidade real e tem seu espaço, mas muitas vezes é atravessado por forte comercialização.
Há um movimento que busca o ancestral, mas que se desconecta de raízes reais. Práticas que parecem antigas, mas são construções contemporâneas. Terapeutas que não estudam anatomia e ignoram conhecimentos importantes.
E, ainda assim, reconheço: existem tradições que oferecem algo que muitas vezes não aprendemos na formação em saúde.
O taoismo e o ta**ra trazem caminhos importantes de consciência corporal — percepção interna, atenção ao corpo, refinamento da sensação.
Ajudam a sentir.A desacelerar.A estar no corpo.
Na clínica, vejo dor pélvica sem causa aparente, corpos em alerta, antecipação da dor e vigilância constante. Vejo desconexão. Mulheres que não sentem, que não conseguem relaxar.
Isso não é só individual.É história.É coletivo.
Essas dores não são apenas físicas. São emocionais, históricas e coletivas.
Não existe solução rápida.
Existe escuta.Entendimento.Trabalho corporal.Tempo.
Tempo para que o corpo encontre segurança e volte a relaxar.
Entendo que o caminho mais íntegro é devolver autonomia à mulher, integrar ciência e escuta, respeitar o corpo real e a experiência subjetiva — sem a ilusão de um único método.
Sigo estudando.
Como mulher, mãe, yogini e fisioterapeuta, aprendendo a soltar tensões em um sistema que nos esgota.
Que haja tempo.
Tempo de presença.Ritmo natural.Contemplação.E pôr do sol.