10/01/2026
Uma dúvida muito frequente é se o tempo cirúrgico interfere na evolução da cirurgia.
E a resposta é: sim, interfere — e muito.
Toda cirurgia gera trauma, injúria e agressão ao organismo.
A resposta do corpo a esse trauma acontece por dois grandes caminhos:
pela liberação de hormônios contrarreguladores, como catecolaminas, insulina e glucagon, e pela ativação do sistema imunológico, com produção de interferons e interleucinas.
Quanto maior o dano e quanto maior o tempo cirúrgico, maior será essa resposta do organismo tentando reequilibrar a injúria causada.
Existe, porém, um ponto de equilíbrio. Quando esse limite é ultrapassado, esses mesmos mecanismos deixam de ser protetores e passam a causar prejuízos importantes.
Isso impacta diretamente a cicatrização, a defesa imunológica e a evolução do pós-operatório.
Cirurgia plástica é uma cirurgia eletiva.
Por isso, planejamento, bom senso e, em alguns casos, a segmentação dos procedimentos são fundamentais para preservar a qualidade da recuperação.
Todo pós-operatório envolve desconforto, inchaço e alterações no bem-estar.
Mas, sem dúvida, quanto maior o trauma e quanto mais prolongado o tempo cirúrgico, pior tende a ser a evolução.
Tempo cirúrgico não define se um cirurgião é melhor ou pior.
Mas ele influencia, sim, de forma direta, na qualidade do seu pós-operatório.