25/03/2026
No desfralde, avisar que está fazendo xixi ou cocô costuma ser interpretado como sinal de prontidão.
Mas, na maioria das vezes, isso é um passo intermediário, não o início do processo.
Antes de conseguir avisar, a criança precisa desenvolver percepção corporal:
sentir o próprio corpo, reconhecer as sensações internas e, aos poucos, diferenciar vontade inicial de urgência.
Essa percepção não surge porque o adulto pede, lembra ou pergunta o tempo todo.
Ela se constrói com maturidade neurológica, repetição de experiências e um ambiente que permita a criança se observar.
Quando a gente exige aviso ou controle antes dessa percepção estar organizada, a criança até pode tentar “acertar”, mas sem estar conectada ao próprio corpo.
E isso costuma aparecer depois em escapes, resistência ou retenção.
No desfralde, ajudar mais é diferente de cobrar mais.
Nomear sensações e respeitar o tempo da criança favorecem um processo mais tranquilo e consistente.
Entender o funcionamento do corpo da criança costuma aliviar muita ansiedade, tanto dela quanto dos adultos.
👶 Dra. Maria Eduarda Horn | Pediatra