Psicóloga Débora Franke

Psicóloga Débora Franke Psicóloga Clínica e Psicanalista em formação. Associada APPOA

30/07/2021
30/05/2021

João era um bebê saudável até meados de 2020. Nessa época, com cerca de 1 ano e meio, começou a me preocupar com sinais de atraso no seu desenvolvimento.

Falava apenas 2 palavras. Balbuciava um tatibitate monótono. Não atendia a seu nome nem olhava nos olhos. Andava na ponta dos pés. Sorria pouco, não fazia gracinhas. Na consulta não se interessava pelas brincadeiras, Começou a recusar qualquer tipo de legume.

Conversando sobre a rotina, descobri que os pais estavam fechados em casa, como a maioria das famílias, e haviam perdido a rede de apoio. João estava confinado há meses. Havia quebrado o fêmur, e por 8 semanas ficou inteiramente parado. Com os pais em home office, a solução foi a TV: João passava 5 a 6 horas por dia em frente a ela. Com a dificuldade na alimentação e pouca ajuda em casa, a mãe apelou para biscoitos, nuggets e miojos. O sono era interrompido, acordava várias vezes por noite chorando.

A situação era preocupante: havia critérios para suspeitar de Transtorno do Espectro Autista. Pedi uma audiometria, que foi normal. Uma neurologista disse que o diagnóstico era provável e encaminhou para estimulação precoce com fono e TO.

Mas havia um caminho a percorrer antes disso. Com os pais, organizamos uma reviravolta na vida de João. A TV foi desligada - o que causou muito choro e irritação - mas os pais resistiram. Uma avó veio de outro estado em socorro. Ela e os pais passaram a dar mais atenção ao menino, o estimulavam com brincadeiras, livrinhos, instrumentos musicais, bonecos e casinhas. A avó começou a levá-lo duas vezes por dia na pracinha, onde encontrou um “amigo de pandemia”. Pedi que a família não usasse mais ultraprocessados, para que o paladar voltasse aos poucos ao natural.

João, agora com 2 anos e meio, saiu daqui há pouco: falando frases completas, sorridente, brincante. Entrou para a escola - que adora - em fevereiro, come e dorme muito bem.

Não foi milagre. Foi apenas uma decisão da família, que, orientada por um profissional, decidiu oferecer uma vida melhor para seu filho. Uma vida com conexão, natureza, brincadeira, socialização, comida de qualidade. Essa soma se chama saúde, física e mental.

Ou melhor: uma infância feliz.

A formação de um analista é um percurso singular de apropriação da psicanálise, de deixar-se atravessar pela psicanálise...
01/05/2021

A formação de um analista é um percurso singular de apropriação da psicanálise, de deixar-se atravessar pela psicanálise. Passa fundamentalmente pela análise pessoal, supervisão e estudo teórico, este com muitos caminhos possíveis a trilhar.

Acredito no percurso teórico que parte daquilo que a clínica me interroga, das questões que brotam do cotidiano de escuta, e para onde aponta o meu desejo de estudar.

Aí estão alguns dos temas/livros dos quais tenho me ocupado ultimamente, além das questões sobre a constituição psíquica, fundamentais para quem trabalha com crianças, e também o tema das migrações, que vem me interessando já há algum tempo.

A formação é interminável.




8 anos desse dia incrível, momento de muita realização para mim após 8 anos de graduação. Foi nesse tempo, nas aulas de ...
19/01/2021

8 anos desse dia incrível, momento de muita realização para mim após 8 anos de graduação. Foi nesse tempo, nas aulas de Psicologia da Personalidade e nas sessões de psicoterapia que se deu meu primeiro encontro com a psicanálise e nasceu o desejo de atuar na clínica. Durante a faculdade trabalhei na própria universidade, a UNISC, sendo o RH meu primeiro trabalho formal e, após a formatura, como psicóloga, local onde aprendi muito, fiz muitas amizades especiais e ao qual sou muito grata! Seguindo meu desejo, após me formar iniciei a especialização em Problemas do Desenvolvimento na Infância e Adolescência, no Centro Lydia Coriat, e ainda em 2013 me tornei concursada da Prefeitura de Santa Cruz do Sul e passei a atuar como psicóloga no CAPSIA. Esses dois espaços inauguraram o início do meu percurso de formação e atuação na clínica, tendo sempre a psicanálise como referência. No CAPSIA encontrei uma equipe super engajada com a saúde mental infanto-juvenil, atendi muitas crianças, adolescentes e suas famílias, e também fui supervisora de estágio de alunos da graduação de Psicologia da UNISC. Em 2015, após concluir a pós, comecei a trabalhar na Clínica Darmas em POA e a sublocar consultório, atendendo adultos, além de seguir no CAPSIA em Santa Cruz, e passei a participar de eventos e grupos de estudos da APPOA. Esses anos foram de muito crescimento pessoal e profissional e constituíram a psi que hoje sou e como penso e faço a clínica. Em 2017 fiz uma pausa para maternar e retornei à vida profissional em 2019, passando a atuar somente em consultório e dando sequência ao meu percurso de formação com o tripé que desde sempre sustenta o meu clinicar, a partir da ética da psicanálise: análise pessoal, supervisão e estudo teórico de Freud e Lacan. E, para fechar com chave de ouro esses oito anos de trajetória, em 2020 montei meu próprio espaço, ato afirmativo do meu desejo de seguir por esse caminho que tanto me realiza. Carrego comigo a lembrança carinhosa e as marcas que em mim deixaram todos os que nesses anos compartilharam comigo espaços de trabalho e estudo: colegas, supervisores, professores, analistas, pacientes. Obrigada por enriquecerem a minha caminhada!

29/09/2020

Que emocionante!! Me fez pensar no papel da escola, na pandemia e fora dela. Temos muito ainda a caminhar na construção de uma escola que sustente a constituição psíquica pela via do desejo, na qual a aprendizagem do conteúdo esteja vinculada a uma ética de cuidado de si e do outro.

Domingo chuvoso de estudos.😉🌻
06/09/2020

Domingo chuvoso de estudos.
😉🌻

"A alegria é uma brincadeira fujona, sabe? Algo que nos acostumamos a encontrar e a perder o tempo todo. E existem tanta...
31/08/2020

"A alegria é uma brincadeira fujona, sabe? Algo que nos acostumamos a encontrar e a perder o tempo todo. E existem tantas alegrias".

Que encanto de livro. "Manu e Mila" de André Neves (.ilustra)

Feliz por exercer a profissão que escolhi e que me permite escutar e acompanhar tantas histórias de vida, com seus sofri...
27/08/2020

Feliz por exercer a profissão que escolhi e que me permite escutar e acompanhar tantas histórias de vida, com seus sofrimentos e encantamentos!

PROFISSIONAIS DA PSICOLOGIA, NOSSO MUITO OBRIGADO! ❤️

A potência de uma profissão completamente orientada pelos direitos humanos, que acolhe, escuta, cuida e respeita, se torna indispensável nos dias de hoje, quando a letalidade de uma pandemia devastadora interrompe vidas e sonhos. É este o contexto desafiador que marca os 58 anos da Psicologia no Brasil.

Neste Dia da Psicóloga e do Psicólogo, o CFP agradece imensamente a cada profissional da Psicologia por sua atuação nas mais diversas regiões do país, formadas pelas mais singulares realidades. É a dedicação de vocês, que atuam na ponta, que contribui na busca incessante por uma sociedade menos desigual, livre de todas as formas de opressão e violência. São vocês que tornam nossa ciência-profissão tão fundamental para a sociedade que desejamos: diversa, plural e saudável.

Muito obrigada!

Card com fundo branco, marca da campanha (símbolo da Psicologia estilizado com hastes e bolas coloridas) e logotipo do CFP. Texto da imagem: Acolher, escutar, respeitar. 27 de agosto. Dia da Psicóloga e do Psicólogo. . Superando distâncias, conectando vidas.

13/07/2020

"Uma criança nunca quer somente aquilo que pede; pelo contrário, um pedido satisfeito torna ainda mais insuportável a fa...
11/06/2020

"Uma criança nunca quer somente aquilo que pede; pelo contrário, um pedido satisfeito torna ainda mais insuportável a falta não confessada".
Do livro "A filha perdida" de Elena Ferrante

Em meio às reflexões e elaborações em torno da maternidade na minha análise pessoal, surge a indicação deste livro por minha analista. Ao me deparar com esta frase muitas associações me tomam. Lembranças dos desafios iniciais com Henry recém-nascido, quando toda mãe se vê às voltas com o trabalho de decifrar o que demanda o choro do bebê. Trabalho de escuta e leitura. Sinto que muitas famílias se deparam com o retorno desse desafio em meio a pandemia que vivemos. O que querem nossos filhos com os pedidos que nos fazem nesses meses de isolamento? Mas não só. O trabalho de decifrar a demanda do outro está dada o tempo todo, em todas as relações. E igualmente com nós mesmos. O que queremos? O que desejamos? Sabemos nós mesmos transmitir ao outro a exata medida do que desejamos, esperamos? Que falta é encoberta em nossos pedidos? Amor/amar é (des)encontro permanente. A falta é permanente, e que bom que seja assim. Que cada uma/um possa ter encontros suficientemente bons para seguir amando e apostando no laço com o outro, apesar do que nos escapa no deciframento deste outro e seu desejo.

De minha participação no primeiro encontro do projeto . @ Porto Alegre, Rio Grande do Sul

18/05/2020

Então, seu filho está com medo. E você, e todos nós.

A cena clássica: "Papai, mamãe, tem um monstro embaixo da cama". E toda noite a gente vai lá, se agacha e diz: “Não tem monstro, meu amor, pode dormir tranquila.”

Mas e agora, quem está fantasiando? Quem está mentindo? Eu, pelo menos, tenho vários monstros embaixo da minha cama. E do lado de fora da porta. E em Brasília, então…

O medo é parte da vida das crianças. Agora, de fato, há muitos motivos para ter medo - e elas percebem, mesmo as menores. Além disso, os adultos estão assustados, e os pequenos, inclusive os bebês, são esponjas de emoções. Absorvem angústias, medos, inseguranças, e expressam de volta como conseguem: birras, choro, agressividade, agitação. Os mais velhos conseguem verbalizar - se permitimos.

Como ajudar uma criança que manifesta medo? Primeiro, o que não fazer: invalidar, descartar. “É bobagem”; ”Não é nada, vai passar”; "Esqueça isso”. Mensagens desse tipo vão fazê-la perder confiança e auto-estima.

Ao contrário, podemos legitimar, validar seus sentimentos. “Tô vendo que está preocupado. Quer me contar?”; ”Do que você tem medo?"; "O que você sabe sobre a situação?”. Fazer isso com um abraço ou colo é melhor ainda.

As perguntas e as explicações devem estar no nível de compreensão da criança e da sua capacidade de lidar com a realidade. Para os pequenos, fantasias são um bom caminho: "O dragão está lá fora, por isso temos que ficar fechados no castelo. Mas muitos heróis e cientistas estão combatendo-o, e em breve vamos derrotá-lo".

E sempre ajuda redirecionar a criança para algo divertido - jogar, desenhar, cantar, tomar um sorvete. O cérebro não consegue simultaneamente brincar e se preocupar. A brincadeira interrompe o ciclo, alivia, relaxa, e ao mesmo tempo ela aprende uma estratégia de auto-cuidado.

O brincar vale para os adultos também. Aliás, evite consumir notícias o dia inteiro. Faz mal para você, e os filhos podem se angustiar mais.

Respeito, empatia, amor, fantasia e brincadeira são soluções para a maioria dos problemas na infância. Para capacitar uma criança a vencer o medo, sejamos um porto seguro para elas, onde possam se sentir mais fortes para seguir em frente.

Endereço

Avenida Bento Gonçalves, 1403
Porto Alegre, RS

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