30/12/2025
Estamos vivenciando uma mudança de paradigma na prostatectomia radical robótica comparável à transição da cirurgia aberta para a laparoscopia.
Deixamos de operar guiados apenas por parâmetros anatômicos para entrarmos na era da cirurgia guiada pela biologia tumoral.
A integração entre PET-PSMA e Ressonância Magnética Multiparamétrica (mpMRI) nos oferece hoje um verdadeiro "mapa metabólico" tridimensional.
Enquanto a mpMRI permanece insubstituível na avaliação da extensão local e da anatomia zonal, sua acurácia pode ser limitada em tumores isointensos ou anteriores.
É aqui que o PET-PSMA complementa a estratégia, revelando a "assinatura biológica" e a atividade metabólica da lesão, mesmo onde a imagem morfológica é inconclusiva.
O impacto prático dessa fusão no planejamento cirúrgico é definitivo:
🔹 Preservação Neurovascular Guiada por Risco
Abandonamos a decisão binária baseada apenas na anatomia. Com o mapa metabólico, definimos a preservação (total, parcial ou ressecção) baseada na proximidade metabólica do tumor aos feixes, otimizando resultados funcionais sem comprometer o controle oncológico.
🔹 Linfadenectomia de Precisão
A sensibilidade superior do PET-PSMA (até 94%) para metástases linfonodais permite dissecções mais assertivas, focadas em cadeias suspeitas, reduzindo a morbidade de dissecções estendidas desnecessárias em casos selecionados.
🔹 Redução de Margens Positivas
A identif**ação precisa do tumor índice e sua extensão apical ou anterior permite ajustes finos na técnica de excisão, reduzindo microrresíduos tumorais muitas vezes invisíveis às abordagens convencionais.
A combinação dessas modalidades não é apenas um refino diagnóstico; é a ferramenta mais precisa que dispomos para a personalização cirúrgica em casos de risco intermediário e alto.
Na sua prática, você já considera a fusão dessas imagens como padrão para o planejamento de casos complexos?