25/12/2025
Este Natal acontece de um jeito que nunca tinha acontecido: longe dos meus filhos, agora adolescentes, pela primeira vez. Em tantos outros, éramos nós quatro. Havia barulho, algum caos, risadas fora de hora, a repetição quase automática de um ritual que eu achava garantido. Hoje não. Hoje o Natal me encontra num hospital, e essa ausência não é apenas geográf**a: ela atravessa. E muito!
Na lógica psicanalítica, a dor não está só no que falta, mas no que a falta revela. A distância dos meus filhos toca direto no ponto mais sensível: a fantasia de proteção, de presença contínua, de que eu conseguiria sustentar tudo ao mesmo tempo. Este momento escancara a minha dificuldade com tudo o que estamos vivendo. Não por fragilidade, mas porque há experiências que desmontam o eu, suspendem as defesas e exigem um trabalho psíquico que não se faz com pressa.
O Natal, aqui, perde o enfeite e ganha verdade. Entre corredores quase silenciosos e pensamentos que insistem, aprendo (a contragosto) que amar também é suportar a ausência sem transformá-la em culpa. É reconhecer o limite, aceitar a angústia e seguir, mesmo assim, ligada a eles por um fio invisível que não se rompe com a distância. Este talvez seja o Natal mais difícil. E, paradoxalmente, o mais honesto.
Que muito em breve possamos estar todos reunidos, falando besteiras, rindo à toa e discutindo qual série assistir. kkkkk