C- CAP Centro Clínico de Atendimento Psicológico

C- CAP Centro Clínico de Atendimento Psicológico Centro Clínico de Atendimento Psicológico, clínica transdisciplinar com atendimento em Psicologia com ênfase em Psicanálise, Psiquiatria.

Centro Clínico de Atendimento Psicológico, clínica transdisciplinar com atendimento em psicologia ( infantil, adolescente, adulto idoso), psicanálise e psiquiatria.

07/01/2026

Em 1929, uma jovem de 21 anos chamada Simone de Beauvoir sentou-se para prestar a agrégation francesa — um dos exames mais difíceis e implacáveis do mundo acadêmico.

A agrégation em filosofia era um verdadeiro rito de passagem intelectual. Determinava quem poderia lecionar nos liceus mais prestigiados da França. A maioria dos candidatos reprovava. Muitos tentavam por anos — alguns jamais conseguiam passar.

Simone ficou em segundo lugar em todo o país.

Quem ficou em primeiro? Jean-Paul Sartre, que fazia o exame pela segunda vez.

Isso não foi apenas uma vitória acadêmica.
Para uma mulher na França de 1929, foi um ato revolucionário.

Simone de Beauvoir tornou-se apenas a oitava mulher a ser aprovada na agrégation de filosofia. O resultado lhe garantiu algo quase inimaginável para mulheres de sua época: independência econômica. Num mundo em que mulheres eram preparadas para casar e depender financeiramente dos maridos, Simone acabava de conquistar a própria liberdade.

Vinte anos depois, ela publicaria o livro que ensinaria mulheres do mundo inteiro a fazer o mesmo.

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Simone de Beauvoir nasceu em Paris, em 9 de janeiro de 1908, numa família burguesa e católica, criada sob rígida disciplina religiosa. Estudou em colégios de freiras e foi tão devota que, por um tempo, pensou em se tornar freira.

Mas aos 14 anos, sua mente inquieta entrou em crise.
Questionou a fé.
Abandonou a religião.
Declarou-se ateia.

E voltou-se para a filosofia, a matemática e a literatura.

A família ficou horrorizada. Moças “bem-criadas” não seguiam carreiras intelectuais. Casavam-se bem, cuidavam da casa e permaneciam em silêncio.

Mas Simone havia descoberto algo mais poderoso que a aprovação social: as ideias.

Em 1926, aos 18 anos, saiu de casa para estudar filosofia na Sorbonne, a universidade mais prestigiada da França. Destacou-se rapidamente. Devourava livros, desmontava argumentos, desafiava certezas.

Durante os estudos e a preparação para a agrégation, conheceu três jovens que mudariam sua vida: Jean-Paul Sartre, Paul Nizan e René Maheu.

Sartre, em especial, a fascinou. Brilhante, não convencional, obcecado pelas mesmas questões sobre existência, liberdade e sentido da vida. Eles iniciaram uma parceria intelectual que duraria até a morte de Sartre, em 1980.

Nunca se casaram.
Nunca tiveram filhos.

Definiram sua relação como um “amor essencial”, baseado em igualdade intelectual e liberdade mútua — inclusive para outros relacionamentos.

Foi escandaloso.
Foi radical.

E permitiu que Simone permanecesse intelectualmente livre num mundo que esperava que mulheres desaparecessem na sombra dos maridos.

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Após passar na agrégation, Beauvoir lecionou filosofia durante os anos 1930. Mas ensinar não lhe bastava. Ela queria escrever. Pensar. Intervir nos grandes debates do seu tempo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, com a ocupação nazista da França, foi demitida pelo governo de Vichy. Impedida de ensinar, voltou-se totalmente à escrita.

Em 1943, publicou seu primeiro romance, Ela Veio para Ficar, explorando temas existencialistas como consciência, relações humanas e alteridade. O livro foi um sucesso crítico.

Mas era apenas o começo.

Ao longo dos anos 1940, escreveu ensaios filosóficos fundamentais. Em A Ética da Ambiguidade (1947), defendeu que, num mundo sem sentido pré-determinado, o ser humano é responsável por criar seu próprio significado — e que a liberdade carrega o peso terrível da escolha.

Com Sartre e Maurice Merleau-Ponty, fundou a revista Les Temps Modernes, que se tornou a principal voz do existencialismo francês.

Então, em 1949, Simone de Beauvoir publicou o livro que mudaria a história.

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O Segundo S**o não tinha precedentes.

Em dois volumes monumentais, Beauvoir analisou como as mulheres foram oprimidas ao longo da história — não pela biologia, mas pela cultura.

Sua frase mais famosa tornou-se um grito de guerra:

> “Não se nasce mulher: torna-se.”

O que ela dizia era explosivo:
a feminilidade não é natural.
os papéis de gênero não são destino biológico.

Tudo o que a sociedade dizia às mulheres — serem passivas, domésticas, dependentes, emotivas — era aprendido, imposto e mantido por estruturas de poder.

As mulheres não eram “assim”.
Elas eram formadas assim.

O impacto foi imediato.

Grupos religiosos condenaram o livro. Críticos conservadores o chamaram de imoral. O Vaticano colocou O Segundo S**o no Índice de Livros Proibidos.

Beauvoir recebeu ameaças, cartas de ódio, acusações de destruir a sociedade.

Mas para mulheres do mundo inteiro, o livro foi uma revelação.

Ele lhes deu permissão para perguntar: Por que preciso casar?
Por que preciso ter filhos?
Por que devo abrir mão dos meus desejos?

E ofereceu uma resposta clara:

Não precisa.

Mulheres podem escolher.
Podem buscar educação, independência financeira, liberdade sexual, poder político.
Podem rejeitar os papéis impostos e criar outros.

O Segundo S**o tornou-se o alicerce filosófico do feminismo moderno.

Quando o feminismo da segunda onda explodiu nas décadas de 1960 e 1970, Beauvoir estava lá — não como símbolo distante, mas como voz ativa.

Defendeu o direito ao ab**to.
Assinou manifestos.
Participou de protestos.

E continuou escrevendo.

Publicou Os Mandarins (1954), vencedor do Prêmio Goncourt. Escreveu A Velhice (1970), uma análise dura sobre como a sociedade descarta os idosos — especialmente as mulheres. Publicou quatro volumes autobiográficos, narrando sua vida e seu tempo.

Quando Sartre morreu, em 1980, ela ficou devastada. Escreveu Adeus a Sartre, um relato íntimo e doloroso de seus últimos anos juntos.

Simone de Beauvoir morreu em 14 de abril de 1986, aos 78 anos, e foi enterrada ao lado de Sartre no Cemitério de Montparnasse.

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Mas suas ideias continuam vivas.

O Segundo S**o ainda é lido no mundo inteiro. Mulheres seguem reconhecendo ali a sensação de serem tratadas como “o outro”, de terem sua liberdade limitada por regras invisíveis.

A mensagem de Beauvoir permanece radical:

Você não é seu gênero.
Você não é a expectativa da sua família.
Você não é o roteiro que a sociedade escreveu para você.

Você é livre.

E essa liberdade assusta — porque exige responsabilidade.
Mas também abre possibilidades infinitas.

Simone não apenas escreveu sobre liberdade.
Ela viveu liberdade.

Recusou o casamento quando todas deviam casar.
Fez filosofia quando diziam que mulheres não pensavam abstratamente.
Escreveu livros que desafiaram séculos de certezas.

Ela não pediu permissão.

Ela escolheu.

Não nascida — construída.
Não imposta — escolhida.
Livre.

Que o novo ano chegue suave, como quem abre uma janela e deixa a luz entrar.Que traga respiros, caminhos e pequenas aleg...
31/12/2025

Que o novo ano chegue suave, como quem abre uma janela e deixa a luz entrar.

Que traga respiros, caminhos e pequenas alegrias.
E que você possa seguir sendo fiel ao que sente e ao que deseja.

✨Feliz 2026!✨

Neste Natal, que você possa se permitir um pouco de calma, presença e verdade.Nem sempre é um tempo fácil. Que este seja...
24/12/2025

Neste Natal, que você possa se permitir um pouco de calma, presença e verdade.

Nem sempre é um tempo fácil. Que este seja um momento de acolher o que foi, respirar o que é e abrir espaço para o que pode vir. ✨

Que possamos cultivar esse movimento interno: amar, reconhecer e agradecer. 💛
18/12/2025

Que possamos cultivar esse movimento interno: amar, reconhecer e agradecer. 💛

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06/12/2025

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05/12/2025

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Contardo Caligaris nos deixou questões, como essa,  para refletirmos!
30/11/2025

Contardo Caligaris nos deixou questões, como essa, para refletirmos!

Interessante!!!!
30/11/2025

Interessante!!!!

Mesmo quando tentamos silenciar algo dentro de nós, o inconsciente encontra um jeito de falar. Nos gestos, nas expressõe...
28/11/2025

Mesmo quando tentamos silenciar algo dentro de nós, o inconsciente encontra um jeito de falar. Nos gestos, nas expressões, nas escolhas — algo sempre escapa.

Como diria Freud: “Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos.”

✨ A psicanálise nos convida a escutar o que não é dito — aquilo que

se manifesta nas entrelinhas, no corpo e nos pequenos atos falhos do cotidiano, nos sintomas.

24/11/2025
23/11/2025

Em 1984, em um congresso de psicanálise em Paris, Françoise Dolto ouviu a fala de Isildinha Nogueira e reconheceu, diante de todos, a urgência que ela trazia. Naquele momento, escancarou-se perante a comunidade psicanalítica que o inconsciente era convocado a reconhecer as marcas do racismo e seus efeitos sobre a subjetividade. A partir dali, foi se tornando cada vez mais evidente que já não fazia sentido repetir que “o inconsciente não tem cor”.

No dia 10 de outubro de 2025, recebemos Isildinha Nogueira no CEP, na atividade “Reflexões Teórico-Clínicas – A escuta do sujeito negro na clínica”. E, seguindo a força simbólica do marco de 1984, o encontro que vivemos este ano também deixou sua própria inscrição.

Como disse Ernesto Duvidovich ao final da atividade, há um CEP antes e um CEP depois do encontro com Isildinha. Sabemos que o caminho é longo; afinal, se, de 1984 a 2025, muitos ainda se recusam a enxergar o que Isildinha aponta há décadas, de 2025 em diante talvez precisemos redobrar o fôlego!

Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, relembramos a importância de pensarmos a psicanálise a partir do olhar de Isildinha – mas não só. Como instituição, reafirmamos nosso compromisso de seguir em constante (de)formação, criando espaços de escuta e diálogo capazes de ampliar nossa prática e sustentar, no tempo, uma psicanálise mais aberta, mais implicada e mais atenta aos mundos que produzimos e habitamos juntos.

Vivemos tempos em que o toque é substituído pelo “curtir” e o olhar pelo “visualizado”.Na era digital, o amor e o desejo...
20/11/2025

Vivemos tempos em que o toque é substituído pelo “curtir” e o olhar pelo “visualizado”.

Na era digital, o amor e o desejo passam por novas formas de expressão — e também de frustração.

As relações parecem mais acessíveis, mas muitas vezes mais superficiais. A psicanálise nos convida a pensar: o que buscamos, de fato, quando desejamos o outro através da tela?

Talvez o desejo continue sendo o mesmo — um movimento de falta, de busca, de encontro com o que não se tem. Mas o modo como o vivemos mudou, e compreender isso pode ser o primeiro passo para relações mais conscientes e menos idealizadas.

🪞 Refletir sobre o desejo é também refletir sobre nós mesmos.

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Porto Alegre, RS
90430-060

Horário de Funcionamento

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