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27/11/2025
Chegou mais um esperado livro. Será minha próxima leitura.
Refletir sobre o tempo dentro da psicanálise com referência de nomes tão importantes, creio que será uma experiência bem interessante. Seguirei nas mãos da autora Jô Godar, psicanalista. Lá vou eu...
18/11/2025
Em 1925, Freud escreveu o texto “A Negação”, no qual descreve esse mecanismo como uma defesa do ego diante de emoções que o sujeito não consegue elaborar. Quando a pessoa não dispõe de recursos internos suficientes para lidar com determinado afeto, ela precisa se defender do conteúdo psíquico como se não fosse realidade. Freud destaca que, nesse processo, o sujeito tem consciência do fato, mas o nega enquanto verdade.
Exemplos comuns aparecem na clínica: “Não sinto falta da minha mãe!”.
Assim, aquilo que é negado surge no discurso; a emoção é reconhecida, mas não aceita.
A função central da negação é proteger o ego de impulsos e sentimentos dolorosos.
Mais tarde, em 1936, Anna Freud publica “O Ego e os Mecanismos de Defesa”, sistematizando e ampliando as ideias do pai. O que ela acrescenta de forma original é a ênfase na realidade externa como algo que também pode ser negado, enquanto Freud focava sobretudo nos conteúdos psíquicos recalcados que emergem à consciência e são imediatamente negados.
Tanto Freud quanto Anna Freud entendem a negação como um mecanismo primitivo, típico das primeiras fases do desenvolvimento do ego. É por isso que ela aparece com frequência em:
- crianças pequenas,
- estados de angústia intensa,
- situações traumáticas,
ou processos psíquicos regressivos.
Quando alguém utiliza a negação de forma sistemática, rígida e repetitiva, isso indica que o ego ainda não está suficientemente maduro para tolerar frustrações. Nesses casos, o sujeito recorre a defesas mais simples para evitar a dor psíquica.
A maturidade do ego é o que permite lidar com a realidade de maneira mais realista, aprender com as experiências e contextualizar as vivências dentro de um campo mais amplo da vida.
O uso maciço da negação, ao contrário, traz prejuízos importantes: leva a um empobrecimento do funcionamento mental, porque cria uma leitura limitada e distorcida do mundo — e, em alguns casos, pode até colocar a pessoa em risco ao impedir que perceba aspectos fundamentais da realidade.
Rosângela Martins
Psicóloga
CRP 07/05917
F 51 98337.4242
13/11/2025
De acordo com a psicanálise ninguém chega a uma relação “em branco”.
Cada pessoa traz consigo marcas, vivências e, muitas vezes, traumas não elaborados do passado. Quando esses traumas não são reconhecidos ou trabalhados, eles tendem a se repetir inconscientemente nas relações atuais e principalmente nas mais íntimas, onde existe envolvimento emocional.
Freud chamava isso de “compulsão à repetição”: a pessoa revive, sem perceber, situações que lhe marcaram no passado, na tentativa inconsciente de ter um desfecho diferente ou reparar algo que ficou mal resolvido. Acaba que o parceiro ou parceira tende a ocupar um lugar simbólico importante como; um pai ausente, uma mãe crítica, uma experiência de abandono ou desvalorização por exemplo, e a pessoa reage a ela com padrões semelhantes ao passado
É nesse ponto que acontece um fenômeno muito comum:
“Não é sobre mim, mas é comigo.”
Ou seja, o comportamento do outro não tem uma relação direta com quem você é, mas com as feridas internas trazidas do passado. O problema é que, quando isso acontece, quem está do outro lado muitas vezes toma para si uma culpa que não é sua, acreditando que pode “salvar” ou “curar” o outro, quando, na verdade, a raiz da dor é muito mais profunda e pertence à história psíquica daquela pessoa.
A psicanálise ensina que o primeiro passo para romper esse ciclo é reconhecer o padrão de comportamento que se repete e dar lugar à fala e à escuta — seja no processo terapêutico, seja na relação.
A consciência de que “o que se repete vem de antes” já é, por si só, um movimento de libertação.
Rosângela Martins
Psicóloga
CRP 07/05917
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07/11/2025
O que leva uma pessoa a ser destrutiva contra o outro ou contra si mesma?
Para responder esta pergunta a psicanálise nos convida a olhar para fatores como o inconsciente, os impulsos humanos e as dinâmicas sociais e subjetivas que atravessam o sujeito.
Sigmund Freud, em seu texto Além do Princípio do Prazer (1920), aborda a violência como algo inerente às pulsões humanas, especialmente à pulsão de morte (Thanatos). O autor descreve a existência de duas forças que estão sempre em tensão dentro de nós: a pulsão de vida (Eros), que busca unir, conservar e manter a vida; e a pulsão de morte (Thanatos), que tende ao retorno ao estado inorgânico, ao aniquilamento e à destruição.
Quando a pulsão de morte não é simbolizada ou elaborada, ela pode se manifestar por meio da violência e da destruição, voltadas tanto para o outro quanto para o próprio sujeito. Desse modo, a psicanálise entende a violência como expressão de algo que não encontrou simbolização, um grito do inconsciente diante da impossibilidade de dizer ou elaborar o sofrimento.
Autores contemporâneos, como o filósofo esloveno Slavoj Žižek e o psicanalista brasileiro Christian Dunker, chamam atenção, na atualidade, para a perda das referências simbólicas e para a fragilidade dos laços sociais como fatores que geram e sustentam a violência. Esses autores compreendem a violência como um sintoma social, resultado da crise das grandes referências simbólicas — instituições de autoridade como a família, o Estado e a religião.
Com a escassez desses pontos de amparo simbólico, o sujeito contemporâneo encontra-se desorientado, sem limites ou referências que lhe ofereçam um lugar na estrutura social. Vagando em um vazio de significados e à mercê de suas pulsões internas, que não encontram um campo de orientação e contenção, o indivíduo tende a descarregar suas tensões através da agressividade. A violência, nesse contexto, torna-se uma forma de inscrição no real daquilo que não encontra outras vias de expressão simbólica.
Rosângela Martins
Psicóloga
CRP 07/05917
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30/10/2025
No livro “A era do Vazio” Lipovetsky analisa a sociedade pós moderna e refere que ela tem como principal característica um individualismo “narcísico”.
Ele chama esse tempo de “era do vazio”. Muitos dos valores se perderam e foram substituídos por uma busca mais superficial e imediata de prazer, bem-estar e consumo.
A sociedade anterior tinha o dever, a disciplina e a moral coletiva como valores primordiais, porém estes princípios foram se perdendo e o foco vai na atualidade para a auto satisfação e no culto ao EU.
A ideia não é mais salvar o mundo, mas sentir-se bem.O pensamento mais politizado do passado se perde, abandona-se o sacrifício em nome de um ideal. O desejo é realizar-se sem grandes sacrifícios.
Para este autor o consumo, foco principal desta época deixa de ser apenas econômico passando a ser psicológico e simbólico. Na atualidade consumir é buscar sentido, identidade e emoção.
No entanto, o consumo não gera conteúdo, e sim vazio, porque ele é superficial, se baseia na aparência e na satisfação imediata e não na construção de sentido.
Para Lipovetsky o mundo pós moderno é desapaixonado, frio e cético.
Tudo é fugaz e cada um é obrigado a performar a própria felicidade o tempo todo, sendo dependente do olhar do outro para esta afirmação. O Sujeito cria uma versão de si para o olhar dos outros.
“A identidade se torna um projeto estético, constantemente editado e exposto”.
O excesso de estímulos a que estamos expostos entorpece o sentido — estamos sempre ocupados, mas raramente conectados a algo profundo. Algo que faça um verdadeiro sentido.
O resultado, segundo a ideia deste autor, é um mal-estar difuso: ansiedade, vazio e burnout.
Na atualidade: o indivíduo é conectado, mas solitário; livre, mas frágil; cheio de opções, mas vazio de propósito.
Rosângela Martins
Psicóloga
CRP 07/05917
F 51 98337.4242
28/10/2025
Por seu super investimento, o Eu encontra-se esvaziado de sua identidade.
Gilles Lipovetsky, filósofo e sociólogo francês, escreve em seu livro A Era do Vazio – Ensaios sobre o Individualismo Contemporâneo (1983) sobre a sociedade moderna a partir do século XX. Ele afirma que vivemos na “era do vazio”, marcada pelo individualismo, consumismo e superficialidade emocional.
Segundo o autor, o sentido da vida já não vem mais de grandes projetos sociais. Há um impulso crescente em direção à independência e à liberdade, um desprendimento das condições que uniam o indivíduo ao outro e às instituições. Essa ruptura gera, muitas vezes, solidão, perda de identidade e sensação de vazio.
Na sociedade da imagem e do consumo, o superficial impera: “posto e compro, logo existo”. Perde-se o sentido dos valores mais profundos. Dessa forma, as relações se tornam frágeis e passageiras. Há dificuldade em reconhecer a si mesmo, mesmo diante dos super investimentos no próprio eu. A consequência é um distanciamento do outro enquanto identidade — o outro passa a ser apenas mais um elemento a ser consumido.
Lipovetsky não se posiciona quanto a esse período ser bom ou ruim, mas aponta a sensação de vazio e de falta de sentido como características marcantes da época.
O consumo e o desprendimento criam uma ilusão de felicidade; porém, nos falta o sentido. Nada é válido sem conteúdo. O excesso, quando vazio de significado, transforma-se em detrito.
Nietzsche já nos alertava: “Para dizer a verdade, o que revolta em relação à dor não é a dor em si, mas sim o nonsense da dor.” A dor faz parte da vida — há muito a aprender com ela. O que nos desespera é quando essa dor parece não ter sentido.
É o sentido que gera repertório e torna a dor suportável e até transformadora.
Rosângela Martins
Psicóloga
CRP 07/05917
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22/10/2025
Vitor Guerra, psicólogo e psicanalista uruguaio, autor do livro “A vida psíquica do bebê”, realizou um longo trabalho de estudo e pesquisa da relação mãe/bebe.
Ele parte de uma perspectiva psicanalítica contemporânea inspirada em autores como Freud, Winnicott, Bion e Meltzer. Afirma que o bebê não é apenas um organismo biológico, mas também um sujeito com vida psíquica desde o nascimento.
Muito antes de dominar a linguagem verbal, o bebê sente, reage, fantasia e se comunica. Sua subjetividade vai se estruturando no encontro com o cuidador e com o meio — a partir do olhar, da entonação da voz, da forma como é tocado e do ritmo presente no cuidado.
O início da linguagem e do pensamento do bebê se dá através das “traduções” que o cuidador oferece às suas reações. O bebê precisa dessa tradução inicial para começar a organizar suas sensações.
Inicialmente, ele sente o mundo por meio do corpo, e é através dele que se formam os primeiros registros emocionais, que com o tempo se transformam em modos de ser e de sentir.
As raízes da forma como uma pessoa se vincula, estabelece confiança e constrói sua autoestima estão nessas primeiras trocas de afeto. Muitas dificuldades nas relações e diversos conflitos emocionais são reedições de experiências precoces. Da mesma forma, o modo como o adulto lida com a ausência, a frustração e a dependência também reflete essas primeiras vivências.
Vitor Guerra nos mostra que a subjetividade se constrói na relação, desde o início da vida. Entender o bebê é entender o humano em seu estado mais primordial — e, portanto, compreender o adulto requer revisitar essas origens emocionais e relacionais.
Rosângela Martins
Psicóloga
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19/10/2025
Sob a visão psicanalítica, a dificuldade em dizer “não” raramente é apenas uma questão de “fraqueza” diante do outro.
Trata-se de algo mais interno, e os motivos são muito particulares — como o desejo de agradar, de ser amado, de manter um vínculo, ou o medo da perda, da rejeição, da culpa ou de outro afeto que ameaça o eu.
A pessoa está preservando algo de si, mesmo que se viole — pode ser um lugar de reconhecimento, de amor ou de pertencimento.
A força que a domina é muito mais interna do que externa.
Poder diferenciar-se do outro sem se sentir mobilizado pelo sentimento de perda do amor deste é uma das tarefas mais complexas da constituição psíquica.
Dizer “não”, quando preciso, é um ato de separação — e separar-se implica reconhecer-se como sujeito autônomo, com desejo próprio, diferente do desejo do outro.
Assim, não é o outro que me impede de dizer “não”.
Sou eu quem não suporta o que esse “não” despertaria em mim.
É importante compreender também que dizer “não” ao outro não significa rejeitá-lo, mas sim reconhecer-se como sujeito do próprio desejo.
Quando a pessoa não consegue dizer “não” ao outro, estabelece com ele um pacto silencioso:
“Eu te dou o que queres, e tu pensas que a escolha é tua.”
Por isso, a ideia de que a pessoa que não diz “não” é vítima do outro se enfraquece.
Na verdade, há uma submissão aparente sustentada por uma cumplicidade inconsciente.
Nesse acordo mudo, não há apenas submissão — há também desejo.
Uma parte de si precisa desse vínculo,
dessa ilusão de harmonia,
Rosângela Martins - Psicóloga - CRP 07/05917
F 51 98337.4242
09/10/2025
As crianças cercadas de estímulos digitais se distraem e preenchem o tempo no vazio, pois silenciam o essencial.
O corpo imóvel, a mente aturdida pelos estímulos incessantes das Telas - é assim que muitas crianças vivem hoje.
Presas a um movimento que acontece fora delas, perdem o ritmo do próprio corpo, o silêncio que ensina a sentir, o tempo que permite imaginar.
O brilho da tela substitui o brilho do olhar, e a mão que toca o vidro se distancia do toque humano.
É um adormecimento sutil: o corpo parado, mas a mente exausta.
Cuidar da criança é ajuda-la a habitar espaços lúdicos, aonde elas possam se desenvolver.
Pois são territórios de criação e descobertas.
Brincando a criança experimenta o mundo, testa limites, expressa emoções e constrói significados.
No brincar o corpo e a mente se encontram: o gesto vira pensamento, a fantasia vira linguagem.
É neste espaço que o desenvolvimento sadio infantil acontece.
Rosângela Martins
Psicologa
CRP 07/05917 www.rosangelapsicologa.com
F 51 98337.4242
02/10/2025
Para Winnicott, o objeto transicional é um objeto (como um pano, ursinho ou brinquedo) que a criança utiliza para lidar com a ausência da mãe, funcionando como ponte entre a realidade interna (fantasias, afetos) e a externa (o mundo real).
Os objetos sao investidos de afetos e carregados de história.
São testemunhas de acontecimentos e encontros afetivos.
Representam a ideia de continuidade de uma experiência vivida no passado, fazendo parte da história subjetiva pessoal.
Quando mexemos em objetos guardados, sentimos o peso afetivo que eles trazem, pois todos eles representam uma história vivida ou sonhada.
Na falta de alguém ou na solidão ocasional, ficamos na companhia deles e nos sentimos muitas vezes bem por isto, já que eles estão carregados de presenças.
Eles nos fazem companhia.
Rosângela Martins
Psicóloga
CRP 07/05917
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22/09/2025
O conto "A Carta Roubada" de Edgar Allan Poe foi escrito em 1844.
Edgar Allan Poe foi um escritor, poeta e crítico literário americano, considerado um destaque do conto de mistério e horror, e um dos precursores da ficção científica e policial.
Rosângela Martins
Psicologa
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15/09/2025
Por atuar na raiz do sofrimento a psicoterapia psicanalítica tende a gerar mudanças profundas e sustentáveis ao longo do tempo.
Rosângela Martins
Psicóloga
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Conclui minha formação no curso de Psicologia em 1991. Desde esta data me dedico a minha profissão com amor, seriedade, estudo e cuidado.
Realizei diversos cursos de aperfeiçoamento ligados a psicologia de abordagem psicanalítica. Desde minha formação realizo o trabalho de Psicoterapia de Orientação Psicanalítica.
Minha prática profissional começou logo após minha formação e é dirigida ao atendimento de adolescentes e adultos.
Comecei meu trabalho no Centro Histórico de Porto Alegre onde tenho meu consultório e onde trabalho regularmente.No Centro Histórico o Consultório está localizado na Rua General Andrade Neves,155 conj. 63 .
Em 2018 tive a oportunidade e a alegria de abrir mais um espaço de trabalho na Zona Sul de Porto Alegre.
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Atualmente atendo nestes dois espaços.
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