05/01/2026
No final da década de 1930, o presidente Getúlio Vargas autorizou a construção de um hospital de ensino em Porto Alegre, vinculado à Faculdade de Medicina da então Universidade de Porto Alegre (depois Universidade do Rio Grande do Sul e, a partir de 1950, Universidade Federal do RS - UFRGS).
Após a análise de diferentes locais para sua instalação, foi adquirido o terreno onde funcionava o Campo de Polo da cidade e, em 1943, ali lançou-se a pedra fundamental do futuro Hospital de Clínicas. Mas uma sucessão de problemas retardou e paralisou, em diversas ocasiões, as obras, que se estenderam até o final da década de 1960.
O professor e neurocirurgião Elyseu Paglioli, reitor da UFRGS de 1952 a 1964, passou os 12 anos de sua gestão tentando solucionar os inúmeros problemas que entravavam a conclusão do Clínicas. Em seu livro UFRGS - Uma fase de sua história, publicado em 1979, Paglioli detalha toda essa saga. Conta que Getúlio Vargas, que autorizara a obra no seu primeiro período na Presidência, no novo mandato costumava questionar, sempre que vinha a Porto Alegre, quase 20 anos depois:
- E como vai o Hospital de Clínicas?
Não havia muito o que responder. A obra seguia lentamente, ainda na fase de colocação das fundações. Em 1952, uma dura constatação: estas tinham sérios problemas. O que estava construído precisava ser demolido.
Elyseu Paglioli foi ao Palácio do Catete para apresentar ao presidente um plano de ação e, lá chegando, ouviu a tradicional pergunta de Getúlio Vargas:
- E como vai o Hospital de Clínicas?
- Está sendo demolido, presidente…
Vargas não resistiu: "Ria-se gostosamente", conta Paglioli em seu livro.
Retomando depois a seriedade, o presidente da República tomou pé da situação e deu os encaminhamentos demandados pelo reitor.
Do episódio, ficou esse registro fotográfico, enviado posteriormente a Elyseu Paglioli, com autógrafo de Getúlio Vargas.
Da esquerda para a direita: presidente Getúlio Vargas; governador do Rio Grande do Sul, Ernesto Dornelles; e reitor da UFRGS, Elyseu Paglioli.