16/03/2023
Foi durante o curso de Psicologia que Gustavo Broch notou o potencial que o role-playing game, mais conhecido como RPG, possuía como uma opção terapêutica. Agora atende em consultório próprio no bairro Mont'Serrat, em Porto Alegre, onde realiza sessões de terapia com o uso de RPG e jogos de tabuleiro.
O processo terapêutico, explica Gustavo, não está no jogo em si, mas sim na forma que será contado, observando como as jogadas são impostas e como as decisões são tomadas. "O RPG de mesa, que é o que utilizo, é um jogo de interpretação de papéis, baseado em livros e regras, que vai além da fantasia, de um personagem lutar com um dragão, por exemplo. Podemos adaptar para o RPG um cenário real, coisas mais banais, do dia a dia, não só a ficção", explica. "Existe o efeito Batman, que diz que quando alguém está na posição de personagem, age e sente as coisas de forma diferente. O fato de tu te colocares em um personagem pode possibilitar fazer coisas que não imaginavas ou extravasar", descreve.
Entre os benefícios, o psicólogo acredita que, além dos tradicionais ganhos de qualquer outro processo terapêutico, como desenvolvimento de habilidades sociais e redução da ansiedade, o diferencial está no processo lúdico, que pode ser um atrativo. "Por ter a questão lúdica, o interesse já é maior, principalmente para um público que pode achar que não precisa de terapia, ou que não funciona. É quase fazer terapia sem notar que está fazendo", define. Apesar do modelo gerar interesse entre o público infantil, o profissional acredita que a demanda será maior entre adolescentes, jovens adultos e famílias. "Cresci jogando e, assim como eu, muitas pessoas que também cresceram jogando já têm seus filhos, e o RPG pode ajudar em muitas dificuldades em relacionamentos, relações familiares. Acredito que terá bastante demanda com relação a pais e filhos, é um processo terapêutico mais atrativo pela parte lúdica".