08/01/2026
Tenho pensado muito naquele lugar que quase ninguém ensina a habitar.
O lugar do entre.
Quando já não é mais o que foi…
mas também ainda não é o que será.
Esse lugar aparece quando uma relação termina.
Quando um ente parte.
Quando os filhos vão embora.
Quando um sonho não se cumpre.
Quando um trabalho acaba.
Quando a vida muda, e a gente muda junto.
É o lugar em que a gente olha pra trás e não se reconhece mais.
Mas também ainda não consegue se reconhecer no que vem.
Isso também é luto.
Existem lutos visíveis.
E existem lutos invisíveis.
Quando a gente se perde de si.
Quando morremos aos poucos no excesso,
no controle,
na produtividade,
no cansaço,
na tentativa de dar conta,
na espiritualização que p**a etapas da alma.
Muitas mulheres chegam nesse lugar achando que estão fracas.
Que estão regredindo.
Que estão sem fé.
Mas esse lugar não é fracasso.
É útero.
É inverno da alma.
É a morte antes do nascimento.
O espaço onde algo precisa morrer
para que algo verdadeiro possa nascer.
E quase não se fala de uma coisa sobre o luto:
muitas vezes ele dói não só pelo que acabou,
mas pelo que não foi vivido.
Pela presença que faltou.
Pelos momentos em que não estávamos inteiras.
Nem conosco.
Nem com quem se foi.
Nem com a vida.
A finitude nos chama de volta.
Para o agora.
Para o corpo.
Para a vida como ela é.
Porque viver não é correr.
Viver é presença.
E quando a presença falta, o vazio aparece.
Mas o vazio também é humano.
É preciso atravessar o vazio
para aprender a se preencher de presença.
O problema não é o luto.
É atravessá-lo sozinha.
Com pressa.
Com culpa.
Se exigindo estar bem.
Tentando p**ar etapas da alma.
Porque todo fim verdadeiro abre um espaço.
E todo espaço, quando respeitado, se torna ventre.
Sustentar o luto não é afundar.
É permitir que ele passe pelo corpo.
É não apressar a alma.
Eu falo muito sobre isso aqui.
Sobre travessia.
Sobre presença.
Sobre corpo, fé e vida pulsando mesmo nos fins.
✨ Se tu estás vivendo esse “entre”…
se esse texto nomeia algo teu…
tu não precisa atravessar sozinha.
Escreve “travessia” nos comentários ou me chama no direct.
Eu te leio. E te acolho.
Com amor, verdade e presença
Dèbora’ Lemos