20/10/2025
Didaticamente podemos dizer que a DA no seu curso mais típico obedece a uma hierarquia de progressão dos sintomas. 👉🏻Em sua fase inicial, apagamentos e hiatos de memória são comuns, iniciando o que eu costumo chamar de uma busca por si mesmo👈🏻. O filme 🎞 “Para sempre Alice” retrata como ninguém essa busca. Problemas com datas, compromissos e fatos recentes. Há também dificuldades para se deslocar em trajetos familiares, sendo comum nessa fase se perderem no meio do caminho e vagarem pelas ruas assustados.🚶🏻♂
👉🏻Caminhando para a fase intermediária verificamos uma deterioração mais acentuada dos déficits de memória, dificuldades na fala, empobrecimento do vocabulário🗣 e desconhecimento da função dos objetos. O julgamento torna-se alterado, e o paciente não entende o grau de seus déficits, considerando-se apto à execução de tarefas além de suas capacidades. Existem riscos de acidentes graves⚠. Por exemplo: a senhora que liga o fogão para preparar um café mas não termina a ação. 👉🏻 Já numa fase mais avançada a maior parte das funções cognitivas e executivas ficam comprometidas, havendo dificuldade para reconhecer até mesmo pessoas e espaços familiares, tornando-se dependentes de cuidados.
Os sintomas psiquiátricos que permeiam todas essas fases talvez sejam os que mais causem transtornos para os cuidadores e há uma imensa variedade deles. Por aqui podemos ter apatia, depressão, ansiedade, ideais delirantes, irritabilidade, alucinações (sobretudo visuais), ideias de perseguição, delírio de ciúmes e o curioso delírio do impostor idêntico.
👉🏻O apagamento das lembranças não encerra em si tudo que é depreendido pela memória como afetos, costumes, gostos e nossos grandes amores... Muitos pacientes carregam reminiscências e traços singulares até o fim de seus dias. Nada apaga aquilo que somos. A personalidade é a maior força da natureza.
Dr. Gustavo Lacerda - Geriatria e Clínica da Dor