23/04/2026
Desapareci do feed, eu sei. E a razão é uma das mais importantes que posso te dar: eu estava vivendo.
Estou em férias em Buenos Aires com a minha filha. Uma pausa sagrada. Para quem cuida de tantas dores, a pausa não é luxo; é sobrevivência, é manutenção da própria saúde mental e, principalmente, é qualidade de tempo com quem amamos.
Mas hoje, em especial, fomos conhecer Campanópolis, e eu não pude deixar de ser tocada, não apenas pela beleza desse lugar que parece saído de um conto de fadas, mas pela história avassaladora do seu criador, Antonio Campana.
Há décadas, Antonio recebeu um diagnóstico de câncer terminal. O mundo, como ele conhecia, desmoronou. Diante do diagnóstico da "morte iminente", ele não escolheu se entregar. Ele escolheu construir um ideal.
Antonio pegou um antigo lixão e materiais de demolição descartados, portas velhas, colunas quebradas, trens desativados e começou a erguer, com as próprias mãos, essa cidade medieval. Ele transformou a ruína em um reino. Ele transformou o "tempo contado" em uma vida com propósito inabalável.
Sabe o que é mais inspirador? O diagnóstico lhe dava pouco tempo. Mas ao focar na construção do seu sonho, Antonio viveu mais 24 anos. Ele não apenas superou o diagnóstico; ele construiu um legado que continua a encantar e inspirar.
E tudo isso tem haver com meu dia a dia, com meu trabalho.
Muitas vezes, quando eu falo sobre traumas, perdas e luto no consultório, as pessoas acham que estou falando sobre a morte. Mas a verdade é que eu estou falando sobre a VIDA. Sobre o que fazemos com as "ruínas" que as tragédias deixam. Sobre como escolhemos gastar a nossa qualidade de tempo, independente do quanto nos resta.
O luto pode nos parecer um diagnóstico final. O trauma pode nos parecer o fim do mundo. Mas a história de Antonio nos prova que, sobre as bases mais dolorosas, podemos construir os reinos mais lindos e duradouros.
Recomeçar é, antes de tudo, uma escolha de amor próprio.
Se você está atravessando o seu momento de "ruínas", respire. Inspire-se. A sua história ainda não acabou.
Me conta o que você gostaria de construir sobre as suas cicatrizes? 👇