03/01/2026
A Síndrome ou Sina de Ofélia não é um diagnóstico clínico, mas uma metáfora psicanalítica potente para falar do apagamento do sujeito, especialmente feminino, nas relações. Inspirada em Ofélia, de Shakespeare, ela representa mulheres que aprendem a existir a partir do desejo do outro.
Ofélia ama, obedece, silencia, cede. Não sustenta o próprio desejo; responde ao desejo alheio. Sua loucura não é excesso de amor, mas consequência de uma vida sem lugar simbólico. Quando a palavra falha, o corpo fala. Quando o sujeito não pode desejar, resta-lhe o sacrifício.
Essa sina se repete em vínculos onde o amor exige renúncia de si, onde ser amada parece depender de desaparecer. Na clínica, ela aparece em mulheres que dizem “não sei o que quero”, mas sabem exatamente o que o outro espera delas. A angústia, o vazio e o adoecimento surgem quando o desejo próprio foi recalcado por tempo demais.
A psicanálise não busca salvar Ofélia, mas oferecer-lhe palavra. Porque quando o sujeito pode falar, já não precisa adoecer para existir. Sustentar o próprio desejo é um desvio dessa sina e um ato de coragem.
💭 O que em você precisou desaparecer para caber na relação?
Aline Brito
Psicóloga e Sexóloga
CRP 02/17617
___