08/03/2026
Todos os dias recebemos pelos meios de comunicação notícias de violência perpetrada contra as mulheres das mais diversas formas.
A persistência desta violência de gênero em nossa sociedade evidencia a importância de que seu enfrentamento não pode ser circunscrito à ação exclusiva das mulheres. É imperativa, portanto, a participação de toda a sociedade.
É preciso dizer: a violência não tem início na violência. Ela começa na diferença salarial entre homens e mulheres ocupando o mesmo cargo; na sobrecarga resultante do acúmulo de trabalho doméstico e cuidado familiar não remunerados; na quantidade ínfima de mulheres na representação nos três poderes; a significativa diferença no número de mulheres docentes no ensino superior e nos cargos de liderança; na objetificação midiática e nas narrativas hegemônicas que enaltecem o domínio público sobre nossos corpos; na binariedade que constrói hierarquias e barreiras intransponíveis entre os gêneros... e essas são apenas algumas das diferenças que são constituídas socialmente e forjadas enquanto naturais.
É urgente demolir estes padrões de comportamento social ancorados no machismo com ações coletivas que envolvam a reeducação das relações de gênero até a efetivação de políticas públicas transversais.
Na base destas mudanças, é imprescindível reconhecer o papel epistêmico e político dos feminismos. Os movimentos de mulheres, em sua pluralidade, têm nos ensinado que os direitos conquistados pelo arcabouço jurídico e social brasileiro destinados às mulheres não configuram concessões, ou benevolência, mas sim são fruto desta luta.
Se podemos celebrar nossas conquistas e marchamos no dia 8 de março é justamente porque muitas vieram e lutaram antes de nós.
A Lei Maria da Penha, a criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e as políticas de enfrentamento ao feminicídio são exemplos concretos de conquistas que resultaram de décadas de mobilização, resistência e produção de conhecimento por parte dos movimentos feministas.
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