07/01/2026
Na prática clínica, observa-se que o Mounjaro não atua sobre comportamentos alimentares nem sobre conflitos emocionais.
Sua ação reduz o estímulo da fome fisiológica, o que frequentemente expõe conteúdos psíquicos antes mascarados pela alimentação.
Quando o apetite silencia, emergem padrões já existentes:
ansiedade persistente, desorganização emocional, rotinas disfuncionais, exaustão mental e negligência do autocuidado.
O medicamento não produz esses estados.
Ele apenas remove um dos principais mecanismos de compensação.
Nesse contexto, muitos pacientes compreendem que não comiam por necessidade biológica, mas por:
•Ansiedade e tensão interna
•Automatismos comportamentais
•Fadiga emocional
•Tentativa de alívio psíquico
•Autorrecompensa
•Busca de regulação emocional
A permanência do desejo por determinados alimentos, mesmo sem fome, não configura falha de caráter ou falta de disciplina.
Trata-se de um sinal clínico de:
•Privação de descanso mental
•Desequilíbrio emocional crônico
•Ausência de rotina psíquica organizada
•Deficiência de higiene mental
•Baixo nível de autoconhecimento
Não é uma questão de força de vontade. É uma questão de consciência e elaboração.
O Mounjaro não cria conflitos internos. Ele apenas retira o disfarce que os mantinha encobertos.
E é justamente nesse ponto que se abre uma possibilidade terapêutica concreta:
sem a fome para anestesiar e sem a comida para silenciar, o sujeito se confronta com sua própria dinâmica psíquica.
O medicamento pode facilitar o processo. Mas não promove mudança estrutural.
A sustentação dos resultados depende de uma abordagem integrada, que inclui:
•Alimentação estruturada e consciente
•Atividade física regular
•Escolhas diárias consistentes
•Disciplina emocional
•Trabalho terapêutico contínuo, voltado à compreensão dos padrões inconscientes
O recurso farmacológico auxilia, acelera e favorece a adesão.
A transformação real, porém, exige implicação subjetiva do paciente.
O Mounjaro reduz o excesso corporal. O trabalho terapêutico reorganiza a base psíquica.
Quando intervenção medicamentosa e cuidado terapêutico caminham juntos, os resultados não apenas surgem — eles se mantêm.