16/12/2025
Antes de tudo, se você, colega anestesista, ainda trata o paciente como se ele não fosse SEU paciente, você está f**ando perigosamente para trás.
A revisão do New England Journal of Medicine, “Testosterone Treatment in Middle-Aged and Older Men with Hypogonadism” (Bhasin & Snyder), desmonta os dois extremos sobre testosterona. Ela não é um santo remédio. Também não é um veneno que causa infarto ou câncer. Os dois discursos estão errados.
O ponto central é indicação. Para quem. Em que contexto. Com qual dose.
Não é só sobre testosterona. É sobre equilíbrio entre testosterona total e livre, estradiol, inflamação, perfusão e eixo hormonal. Aplicar recomendação de forma automática, sem olhar quem está à SUA frente, é erro clínico.
O estudo TRAVERSE, também no NEJM, mostrou segurança cardiovascular global da reposição em homens com hipogonadismo quando bem indicados. Mas alertou para riscos específicos, como eritrocitose e possível trombose em pacientes vulneráveis. Medicina operatória exige atenção a isso.
Os dados mostram benefícios? Sim. Mostram riscos? Também. Tudo depende da seleção, da causa, do eixo envolvido e do contexto clínico. Nem tudo é para todos.
Iniciar, manter ou suspender testosterona sem avaliar FSH, LH, estradiol, DHT e eixo HPA é erro travestido de ciência.
Medicina operatória é escolher com base em fisiologia e evidência bem interpretada. Não por moda. Não por pânico.