22/05/2021
Não há dúvida de que é uma maravilha a prosperidade econômica. Quem não gosta de ver shoppings lotados e rodovias abarrotadas de carros nos feriados prolongados?
No entanto, não somos só o que consumimos. Somos seres de linguagem e tudo que acumulamos - no concreto - está relacionado com o que não damos conta no campo das palavras.
O pior começa onde termina a fala.
Queremos um sentido. Tentamos pela filosofia, pela ciência e pela religião. Nenhuma ainda deu conta disso.
O capitalismo entrou na jogada com a promessa de suprimir nossas angústias pelo consumo.
Porém, mesmo as sociedades mais prósperas têm depressão, pânico e suicídio.
O consumismo é uma ficção e a droga é uma ilusão. É por isso que antidepressivos e ansiolíticos causam dependência. Estes medicamentos tentam resolver quimicamente um problema que é das palavras.
A questão é que esperamos de fora a solução para um problema que é só nosso. Tudo isso começou com nossas mamães nos acalentando quando chorávamos por pânico do mundo.
No entanto, nem mesmo as mamães sabem tudo. Quem disse que o papa não sente angústia? Não é por acaso que os religiosos gostam tanto de dinheiro.
Enfim, vivemos a fantasia de que podemos ser salvos pelo ter. Doce ilusão!
Para a nossa salvação temos que virar inventores de palavras. Temos que inventar nossas próprias falas sobre nós mesmos.
A paz que precisamos não está fora de nós. Isso que buscamos somos nós mesmos. Se blefou a ciência, a religião e a filosofia, cabe a cada um se reinventar nesse vazio que é só seu.
Psicóloga Ângela Maria
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