02/11/2025
Volto deste Congresso com o sentimento de quem degustou a palavra com calma — como sugere Conceição Evaristo — para sentir nela o que pulsa, o silêncio e o sentido. Aprendi, mais uma vez, que a fala é um gesto, e a significação é um mundo; todo encontro verdadeiro nos desloca para além do que já sabíamos…
Foram dias em que a psicologia se fez presença viva: uma orquestra de vozes, pensamentos e afetos lembrando que o mais originário é a relação. Escutar não é um ato passivo: é abrir espaço para que o outro exista com sua própria tonalidade de ser. Escutar é libertar-se das limitações já aceitas. E, às vezes, escolher o silêncio é um ato de resistência, porque nele a vida ainda respira, reorganiza.
Ouvi que a esperança coexiste no amor — e ali compreendi que a clínica é uma aposta: na mudança, na abertura, no vir-a-ser. Existir é movimento, e a vida persiste enquanto há vida. E enquanto houver vida, há possibilidades…
Saio com a certeza de que a terapia é um convite ao acontecimento. Tentar é mais importante do que conseguir, porque o que importa é a travessia — o gesto de seguir mesmo quando a resposta ainda não veio. Cada paciente, como nós, é um viandante entre mundos, atravessando estradas que só ele conhece por dentro.
Volto com gratidão profunda: pela escuta, pela partilha, pelo pensamento vivo que não se fecha, mas se expande. Volto com mais perguntas do que respostas — e isso, na nossa prática, é sinal de vida.
Obrigada a cada pessoa, cada abraço, cada encontro, cada fala, cada respiro que me lembrou por que faço o que faço. Que sigamos, com delicadeza e coragem, abraçando a angústia e apostando nas possibilidades de ser — porque existir é movimento 🧡