17/08/2017
A gravidez é um período de modificações físicas e psicológicas para a mãe e de intenso desenvolvimento e crescimento para o feto.
Nessa importante fase, os aspectos nutricionais maternos pré-gestacionais como o peso, estado nutricional e índice de massa corporal (IMC= peso em quilogramas dividido pela altura, em metros, ao quadrado) podem ser determinantes para a saúde fetal.
Em relação à saúde materna, o aumento de peso antes da gestação determina elevação de risco para ocorrência de hipertensão arterial e diabetes gestacional. Por isso, o ganho de peso ideal a ser obtido ao final da gravidez deve ser calculado, baseando-se no IMC pré-concepcional.
Na saúde fetal, tanto a desnutrição quanto o aumento ponderal excessivo podem ocasionar mudanças metabólicas permanentes, aumentando o risco de desenvolvimento de doença, como obesidade e diabetes, na infância, adolescência e/ ou vida adulta.
Além do pertinente controle de peso, dado pela oferta adequada de macronutrientes, é imprescindível assegurar a ingestão de micronutrientes e vitaminas. O consumo dos nutrientes deve respeitar as quantidades indicadas, sendo individualizado de acordo com o período gestacional.
A necessidade de ferro, cálcio, folato, iodo e vitamina D pode estar aumentada durante a gestação e amamentação a fim de suprir carências e garantir equilíbrio materno e fetal.
Demais vitaminas e microelementos também devem estar presentes de forma equilibrada.
Estudos recentes evidenciam a atuação do ácido docosahexaenoico (DHA) (ácido graxo Ômega 3) na formação do sistema nervoso e retina do feto.
Devido à total dependência fetal da nutrição materna, recomenda-se que o aporte dos nutrientes supracitados seja, preferencialmente, advindo de uma nutrição materna balanceada e satisfatória. O uso de suplementos vitamínicos, minerais, ácidos graxos ou demais nutrientes, somente deve ser realizado após primorosa avaliação e indicação por profissional médico, pois a suplementação indiscriminada e/ou inadequada torna-se prejudicial.
Mulheres portadoras de hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças metabólicas, submetidas previamente à cirurgia bariátrica, portadoras de patologias disabsortivas ou de transtornos alimentares que desejam engravidar ou encontram- se grávidas, devem ampliar cuidados para a manutenção de estado nutricional apropriado. O mesmo é sugerido para adeptas de dieta vegetariana.
De acordo com evidências que a nutrição materna atua diretamente na saúde da criança, sugere-se que o acompanhamento do estado de nutrição da mulher e seu controle de peso sejam, idealmente, ajustados antes da concepção, mantendo seguimento implacável durante todo o período de gestação e aleitamento materno. Exalta-se, ainda, que as intervenções precoces auxiliam positivamente na saúde materno-infantil.