26/02/2026
Como psicóloga e pesquisadora, uma das perguntas que me atravessou durante a construção deste estudo foi: o que acontece quando assumir quem você é passa a significar perder direitos, segurança ou reconhecimento social?
No artigo “'Você deixa de ser uma pessoa com direitos a partir do momento em que fala que é homossexual': violência de gênero sofrida no cotidiano por mulheres lésbicas de camadas médias”, que publiquei na revista "Interação em Psicologia" (2023), busquei compreender os significados atribuídos às experiências de preconceito e discriminação vividas por mulheres lésbicas em diferentes contextos do cotidiano. A partir de entrevistas em profundidade, emergiram relatos que mostram como a violência nem sempre é explícita: ela aparece em silêncios, piadas, apagamentos, constrangimentos e na necessidade constante de avaliar quando é seguro existir publicamente como se é.
As participantes narraram experiências no ambiente de trabalho, na família, nas amizades, nos serviços de saúde e em interações com pessoas desconhecidas - espaços onde o preconceito pode limitar direitos, afetos e possibilidades de vida. Mais do que episódios isolados, essas vivências revelam mecanismos sociais que buscam manter normas heterocentradas e controlar a autonomia das mulheres sobre seus corpos, desejos e relações.
Escrever esse artigo foi também um convite à escuta: compreender essas experiências é fundamental para pensar práticas profissionais mais éticas, políticas públicas efetivas e uma sociedade mais sensível à diversidade.
📖 O artigo está disponível gratuitamente para leitura na íntegra: https://doi.org/10.5380/riep.v27i2.86951