27/05/2025
Atrás de cada pessoa existe uma alma em travessia...
Quem observa a aparência não percebe as marcas silenciosas da vida, as feridas invisíveis que sangram em silêncio, as inseguranças camufladas por sorrisos e as noites mal dormidas repletas de angústia e solidão. Não vê o choro contido, o medo disfarçado, nem as batalhas íntimas que dilaceram silenciosamente o espírito.
Cada ser humano é um mundo que não se vê. Somos viajantes de abismos interiores, que ora nos sugam, ora nos lançam como o mar em ressaca. Cada um carrega dentro de si histórias repartidas em capítulos não revelados, estações emocionais que se alternam em desordem, como hemisférios que nunca se encontram.
Todos, sem exceção, já sentiram o frio do medo, o desamparo da fraqueza, o arrependimento amargo — seja pelo que foi feito ou pelo que se deixou de fazer. Não há quem nunca tenha chorado escondido ou se sentido confuso, sem explicação plausível.
Isso nos lembra de uma grande verdade espiritual: não importa o poder aquisitivo, o status, a cor, a etnia... todos somos irmãos de jornada, experimentando medos, angústias, dores e aprendizados. E é isso que nos nivela, que nos iguala perante a eternidade.
Não podemos mensurar o que o outro sente. Cada coração pulsa com uma química única, percebe o mundo por lentes próprias e reage a partir de cicatrizes que, muitas vezes, desconhecemos.
Por isso, como ensinava Chico Xavier, “a gente nunca sabe a dor que o outro carrega no coração.” Não nos cabe julgar, mas acolher. Não impor, mas compreender. Se pudéssemos ver com os olhos do espírito, trataríamos uns aos outros com mais compaixão, paciência e reverência pela dor que não vemos.