07/06/2016
MAIS DE 500 TERCEIRIZADAS SÃO DEMITIDAS SEM O PAGAMENTO DE 7 MESES DE TRABALHO:
Na última quarta-feira a UERJ presenciou uma das situações mais humilhantes das inúmeras que vem ocorrendo desde o começo da crise financeira na instituição: a demissão de mais de 500 terceirizadas da área de limpeza e conservação. As terceirizadas contratadas pela empresa Construir, estão desde dezembro aguardando a segunda parcela do décimo terceiro salário, e estão há 7 meses sem receber seus salários. Para não serem demitidas, trabalharam durante todo esse tempo, e na última quarta-feira, foram convocadas para uma reunião com a empresa num auditório na UERJ, onde foram coagidas a assinar a demissão, recebendo alguns direitos trabalhistas mas abrindo mão do principal: os 7 meses de salários atrasados. A empresa alegou que se essas trabalhadoras quiserem a parcela do décimo terceiro e os salários, terão que recorrer a justiça, acuadas pela pressão da empresa, pela urgência de receber algum dinheiro e para se livrar do contrato nefasto, todas as terceirizadas assinaram a demissão.
É urgente que todo o corpo da UERJ se mobilize contra a terceirização na universidade. A terceirização coloca vários setores da universidade na mão de empresas que em busca do lucro, colocam seus funcionários em situações desumanas de trabalho, chegando ao ponto que presenciamos na UERJ, onde por cerca de dois anos todos os trabalhadores terceirizados enfrentaram meses de atraso, sendo coagidos a trabalhar e no final serem pressionados a aceitar acordos que desobrigam a empresa de pagar os salários atrasados.
É importante ressaltar que há algumas semanas atrás algo parecido ocorreu com o corpo de seguranças terceirizados da UERJ, setor composto em sua maioria por homens negros, e agora o setor de limpeza e conservação é o que sofre com as demissões, setor composto em sua maioria por mulheres negras, boa parte de idade avançada. Durante esses dois episódios, a comunidade da UERJ não recebeu muitas explicações do reitor Ruy Garcia sobre como estão acontecendo essas trocas de empresa, tampouco a reitoria toma posição sobre a luta pelo fim da terceirização. É importante ressaltar que a UERJ é co-contratante das trabalhadoras terceirizadas, ou seja, a instituição, assim como a Construir, é diretamente culpada pelo não pagamento dessas pessoas, uma vez que se uma parte contratante não paga, a outra se encontra igualmente responsável pela falta de pagamento. Portanto, a reitoria, além de não tomar sua parte de responsabilidade pela falta de pagamento, é omissa com relação às atitudes da empresa.
É uma obrigação humana que todos os setores da UERJ se posicionem pelo fim desse modelo de trabalho, não podemos aceitar a omissão e conivência da reitoria com as falcatruas que estas empresas estão cometendo dentro da nossa instituição. Não podemos aceitar que o governo Pezão/Dornelles - PMDB deixe a UERJ falida enquanto continua bancando os empresários que financiam suas campanhas. Queremos uma universidade 100% pública, e isso inclui a forma como contratamos aqueles que trabalham nela.
Por isso isso é urgente apoiar:
- Fim da terceirização em todos os setores da UERJ!
- Repasse de verbas de custeio urgente para UERJ! Fim dos cortes de Pezão/Dornelles!
- Pagamento imediato da segunda parcela do décimo terceiro e dos 7 meses de salários atrasados; nenhum direito a menos!
- Todo suporte jurídico que a UERJ possui para ajudar as terceirizadas!
- Abertura de uma CPI da terceirização!
- Todos ao ato pelas terceirizadas dia 9 (quinta-feira) às 16h no campus Maracanã!
- Todos ao ato na audiência pública sobre a terceirização na Alerj dia 28/06!