15/12/2025
Liderar é se relacionar. Por isso, quando me perguntam o que considero essencial em um treinamento de liderança, minha resposta é: limites pessoais. É a partir deles que conseguimos falar, com honestidade, sobre comunicação, vínculos, emoções, metas, produtividade e tudo mais que permeia a rotina de uma liderança.
Podemos imaginar que o nosso sistema de limites pessoais está para nossas relações como uma membrana está para uma célula: dando forma e funcionando como uma borda porosa que deixa entrar o que pode nutrir, deixa sair o que não tem mais serventia e bloqueia aquilo que pode ser nocivo.
É a partir do nosso sistema de limites que entendemos quem somos nós nas relações, mas como ele começa a se formar muito cedo, em contextos onde muitas vezes precisávamos nos adaptar para pertencer, podem ter sido moldados por experiências de dor, medo e expectativa. Isso faz com que, frequentemente, se chegue a vida adulta com limites rígidos ou fragilizados demais. E é assim que muitas pessoas ocupam posições de liderança.
Liderar com saúde exige algo mais sutil e mais corajoso: trabalhar no próprio sistema de limites, para construir relações que permitam conexão, responsabilidade e humanidade, sem precisar se abandonar ou abandonar o seu time nos momentos de desafio.
Porque limites não são barreiras contra o outro. São formas de permanecer inteiro em relação ao outro. Sem eles, tudo vira luta por sobrevivência disfarçada de liderança.